quarta-feira, 9 de junho de 2010

SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA DO MEC FALA SOBRE A ESCOLA CONTEMPORÂNEA, O PLANO DO GOVERNO E OS DESAFIOS DO ENSINO MÉDIO, ENTRE OUTROS TEMAS



Na definição de Maria do Pilar Lacerda, secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (SEB/MEC), tratar a informação de forma crítica é a grande missão da escola nos dias de hoje. Diferentemente do que ocorria nos anos 60 e 70, quando a própria instituição escolar era a fonte dessa informação para os jovens, hoje ela tem de ajudá-los a refletir sobre a origem, a forma e os significados de informações que transbordam de variados meios e fontes, inicialmente indistintos em termos de valor.
Professora de história da Educação Básica, ex-secretária de Educação de Belo Horizonte e ex-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Maria do Pilar defende o Plano de Desenvolvimento da Educação, lançado quando assumiu o cargo na SEB, há três anos, por vê-lo como flexível e articulador de todos os níveis de ensino. E prega uma prática docente que se construa a partir do conhecimento da realidade do aluno. Leia, a seguir, a entrevista concedida ao editor .

Quando a senhora assumiu, o então recém-lançado Plano de Desenvolvimento de Educação tinha grande espaço nos meios de comunicação, espaço este que não se manteve. O PDE ficou muito identificado com os resultados do Ideb?

O PDE tem uma grande vitrine quando fala do Ideb. Mas as ações que vieram a partir desse diagnóstico são aquelas que direcionam e organizam nosso trabalho. A visibilidade dele se dá através dessas ações. ProInfância, Plano Nacional de Formação de Professores, Caminho da Escola são ações que vêm a partir da identificação dos pontos fracos, das fragilidades. E o PDE não é um plano engessado. Ele nos possibilita repensar, refazer, pensar coisas novas. Pode ser avaliado e melhorado. É o plano executivo do Plano Nacional de Educação (PNE), que traçou metas, estabeleceu objetivos, mas esqueceu o principal, que é dizer como fazer para atingi-las. O PDE é a possibilidade de alcançá-las, ou de tentar alcançá-las por meio de políticas públicas concretas e referenciadas. O PDE organizou nosso trabalho, ao mesmo tempo em que trouxe flexibilidade e possibilidade de melhorar, de transformar, de avaliar.

Qual rumo foi mudado em função da experiência e do monitoramento nesses três anos?

Vou falar do ensino médio. Tínhamos um diagnóstico, através dos dados de evasão, aprovação, conclusão, de que o ensino médio talvez fosse o elo mais fraco da educação. E estratégico, porque é a ligação entre Educação Básica e superior. Essa identificação tomou outro rumo quando começamos a fazer a discussão do novo Enem. Se essa discussão tivesse ficado restrita apenas no acesso ao ensino superior, nos teríamos limitado a pensar em um novo vestibular. Quando o ministro criou o Comitê Gestor do Novo Enem, deu um foco muito grande à Educação Básica e ao ensino médio, fez dele a possibilidade de o ensino médio flexibilizar o seu currículo. Enquanto o vestibular existir na forma atual - conteudista, cobrando um nível de memorização muito grande - o ensino médio não conseguirá mudar. A partir dessa discussão, começamos a pensar o Ensino Médio Inovador. Isso ocorreu no final de 2008, início de 2009, quase dois anos depois de o PDE ser lançado. Foi o desenho do Plano que possibilitou isso.

O MEC tem defendido a ideia de interdisciplinaridade.

Como a senhora vislumbra isso do ponto de vista da organização curricular e da formação docente?

Há quem defenda uma divisão por áreas e a formação de generalistas para essas áreas...Não queremos acabar com as disciplinas, isso tem de ficar claro. Não temos ainda um acúmulo suficiente tanto na formação de professores como na discussão curricular para chegar a esse ponto. Por outro lado, é muito difícil que o jovem de 15 a 17 anos tenha um aprofundamento da aprendizagem com 12, 13 ou 14 disciplinas no currículo. A saída, além da interdisciplinaridade, é a flexibilização do currículo. Há quatro pontos do Ensino Médio Inovador que são estruturantes do projeto. O primeiro é o foco na leitura, o que significa ter políticas concretas para que o aluno tenha ao menos 20% da sua carga horária dedicada a atividades de leitura. Logo, a escola tem de ter uma boa biblioteca, um acervo bom de filmes, levar o jovem a teatros, exposições - pois estamos falando de todas as leituras. Isso tem implicação no currículo, porque se passa a pensar as aulas de matemática, de história, de física com esse foco, não é uma atividade apenas para o professor de português. Outro ponto é que 20% da carga horária, ou 200 horas/ano, deve ser composta por disciplinas eletivas, atividades que ele define a partir do que a escola ofereça. Em algumas escolas, por exemplo, o professor de história vai trabalhar também com teatro, assim a escola não precisa contratar muitos outros professores. Isso está começando nas escolas agora, desde fevereiro, nos 18 estados e nas 340 escolas que aderiram neste ano.

E os outros dois pontos?

A carga horária passa de 800 para mil horas anuais. Isso significa passar de quatro para cinco horas por dia. Ainda é pouco, mas não queríamos fazer um modelo que inviabilizasse isso nas escolas. Se fossem sete horas por dia, por exemplo, significaria que o outro turno não poderia ter aula. Se o aluno ficasse das 7h às 14h, não haveria turno da tarde. Então, a carga horária passa a ser de 3 mil horas no ensino médio, com mil horas por ano. O quarto ponto é a dedicação exclusiva do professor, com 40 horas semanais, numa única escola. Esse é o ponto mais difícil de ser atingido por todos os sistemas e escolas. Mas colocamos como um fator norteador. Por quê? Porque o professor tem de trabalhar com um sistema de tutoria para os alunos. Essa é uma grande diferença. Você não precisa ser tutor de 400 alunos, mas pode ser tutor de 20 alunos. Ele tem de ter um momento para conversar com o aluno, fazer o acompanhamento de suas dificuldades, da sua relação com os outros alunos, dos seus dilemas de adolescente - e nós sabemos como eles foram duros. Aí a escola começa a assumir a juventude, a se tornar a escola da juventude. Pensamos na chamada era da informação, que muda radicalmente a escola. A escola em que comecei a dar aulas, nos anos 70, era a escola para passar a informação; a escola em que estudei nos anos 60 era aquela que nos dava grande parte da informação que tínhamos.

Hoje, a informação é conseguida em diferentes lugares, e a escola passa a ser o lugar para tratar a informação, o que significa reflexão, distinguir o falso e o verdadeiro, a origem da informação...

Também não deve diferenciar informação e conhecimento?

Informação leva ao conhecimento. A informação do jeito que os meninos têm hoje, na internet, é superficial. Para se transformar em conhecimento, precisa ser tratada, e aí não é mais passar uma lista de nomes de capitães donatários no quadro. Isso se consegue no Google. É preciso cada vez mais entender como se consegue informação pela internet, e isso passa pela formação docente, o que também terá impacto. Estamos fazendo o debate com as universidades sobre o desenho pedagógico das licenciaturas, pois se elas continuarem puramente disciplinares, altamente conteudistas, não vão formar professores que deem conta de um currículo flexível, interdisciplinar, que trabalhe com outras fontes e formas de leitura. No Plano Nacional de Formação de Professores, um dos efeitos desse plano é fazer com que a universidade discuta e converse sobre a Educação Básica, para que a licenciatura comece a refletir essa nova escola.

Será que não está havendo uma excessiva "demonização" do processo de memorização, visto que ele é uma das partes do processo cognitivo?

Não existe conhecimento sem utilizar a memória. Isso é uma coisa. Outra é a "decoreba", naquele sentido de decorar a tabela periódica sem saber o que ela significa. Quantos e quantos jovens não gastaram horas decorando símbolos e informações sem saber para quê, como e por quê? É fundamental utilizar a memória, memorizar - poesias, datas, linha do tempo. O que não podemos é limitar a avaliação, a prova, a cobrança, a isso. Decorar uma poesia é maravilhoso, mas não porque se pode ser sorteado pela professora para recitar Castro Alves, sem saber quem foi, onde nasceu, em que período histórico escreveu. Essa é a guinada. A memória é um dos maiores instrumentos que temos para o conhecimento e o aprofundamento da aprendizagem. Mas fazer decorar sem sentido não é garantir a aprendizagem. É importante que a memorização não seja "demonizada", mas a memorização apenas para fazer a prova não deve ser o foco da escola.

O despreparo com que muitos alunos estão vindo do ensino fundamental também não está atrapalhando muito o ensino médio?

Sem dúvida. A defasagem idade-série afeta muitos alunos em relação ao processo da Educação Básica. Começar o ensino médio com 17 anos já é uma grande defasagem. Ou com os 15 anos regulamentares, mas com baixa capacidade de leitura, de interpretação, um conhecimento matemático superficial. Garantir o ciclo da alfabetização de forma consistente aos 6-7-8 anos de idade vai causar impacto positivo no percurso escolar desses alunos. As pesquisas mostram, também, que os alunos que têm acesso à pré-escola terão percurso escolar melhor. A qualificação e a melhora no ensino fundamental têm um impacto importante no desempenho do ensino médio, assim como a garantia da educação infantil. Por isso, temos pensado de uma maneira articulada, sistêmica, da creche à pós-graduação.

Até a metade deste ano, o Conselho Nacional da Educação deve aprovar novas diretrizes curriculares para o ensino fundamental. O que devemos esperar como novidades?

A principal é a discussão do ciclo da alfabetização e da nova organização da escola para o ensino fundamental de nove anos. A segunda é a discussão da organização da escola em relação às disciplinas. Não queremos que a criança aos 6 anos já comece a ter essa compartimentação disciplinar que se impõe à escola brasileira e que não é comum no resto do mundo. É preciso pensar que as crianças não aprendem abrindo e fechando portinhas, que no cérebro delas não há uma gavetinha para história, outra para geo­grafia. Queremos aprofundar muito o debate sobre a organização do conhecimento dentro da escola. E o terceiro ponto fundamental é o reconhecimento de que os alunos dos 6 aos 14 anos têm diferenças grandes, então é preciso saber o que é organizar a escola para a infância, para a pré-adolescência e para a adolescência. Isso significa uma mudança de foco.

A saber...

Muitos perguntam qual a diferença da escola seriada para a de ciclos, qual a diferença e o problema do conteudismo. Não existe conhecimento sem conteúdo, mas a escola que se organiza a partir do conteúdo desconhece o aluno. A grande diferença é a escola que organiza os seus tempos, os seus professores a partir do aluno, e a escola que se organiza a partir do conteúdo. No meu tempo de professora, chegávamos à escola em fevereiro e reuníamos os professores de história da 5ª série. Perguntava-se o que daríamos aos alunos naquele ano. No 1º bimestre, Brasil Colônia; no 2º, o Ciclo do Açúcar... e assim por diante. Não sabíamos quem eram os alunos, o que já sabiam, de onde vinham, quais eram suas deficiências. Muitas vezes, recebíamos alunos que mal liam, e tratávamos como se não fosse problema nosso. Qual é a política, qual é o projeto pedagógico para garantir que eles saibam? Essa é a grande mudança que buscamos, que a escola não coloque a culpa da não aprendizagem na criança, que assuma isso como um desafio profissional, que identifique as dificuldades, conheça a trajetória do aluno e organize seu currículo a partir deste conhecimento. Isso é uma guinada na organização do trabalho do professor.

Como isso se instrumentaliza?

Quando a escola se ancora nessas explicações, quando responsabiliza o aluno e sua realidade, deixa de se aprofundar no seu grande desafio profissional. Não é uma questão de culpa. Qual dificuldade tem esse aluno e qual projeto pedagógico será elaborado para que ele supere isso? Tem de ter recuperação, aula de reforço, tem de encaminhar ao posto de saúde porque às vezes ele tem oito graus de miopia, tem de saber se a mãe e o pai deixam faltar na escola uma semana e não tomam providências. Essas são obrigações dos educadores, da escola. A escola não precisa ter médico e garantir os óculos, mas tem de encaminhar para um posto de saúde para que a criança seja atendida; tem de se articular com o Conselho Tutelar para que ele investigue por que a criança faltou um mês e ficou defasada. A frequência é fundamental, mas não acontece por si. Tanto o projeto da escola garante a frequência, como a articulação com outros setores de políticas públicas garante que a criança seja acompanhada e tenha o seu direito atendido. Então isso se instrumentaliza lembrando que professores e diretores também são agentes públicos, e têm esse dever profissional. É essa postura que faz a diferença e que identificamos na pesquisa do Unicef nas escolas que, em condições muito fragilizadas socialmente, conseguem fazer um bom trabalho, pois têm um projeto pedagógico que é de verdade. Têm o projeto de gaveta e o de verdade, elaborado por seus profissionais e que efetivamente orienta as suas ações. E isso faz uma grande diferença.

Quanto à formação docente: o MEC fez parceria com os estados e entrou firmemente na gestão compartilhada desse processo. Mas o perfil desses professores ficou a critério dos estados.O MEC não pensa em propor um perfil de formação?

Aí entra a nossa grande dificuldade, que é o nosso regime federativo e a autonomia de estados e municípios. O que fizemos para que esse trabalho entre União, estados e municípios tenha mais coerência? Cada estado tem um fórum estratégico de formação, de que participam o secretário estadual, o representante dos secretários municipais, o representante dos trabalhadores em educação e um representante de cada instituição pública de ensino superior que aderiu ao Plano Nacional de Formação. Identificamos na formação inicial qual é o perfil do professor que pode participar desse primeiro movimento. Eram 300 mil vagas até 2011. São três perfis [de contemplados]: aqueles que não têm formação superior; aqueles que já têm licenciatura, mas atuam em outra área; e aqueles que têm curso superior, mas que não têm licenciatura e devem fazer uma complementação pedagógica. No Plano Nacional de Formação, a formação inicial é garantida, numa primeira etapa, para esses três perfis. Na formação continuada, pedimos aos gestores que identifiquem os maiores desafios da educação de seu município ou estado - se é alfabetização, inclusão de crianças com deficiência etc. - e a plataforma Freire faz a articulação com os cursos oferecidos nessas áreas. Agora, estamos também começando o debate com as instituições de ensino superior sobre o desenho pedagógico das licenciaturas para que elas se articulem mais com essas novas orientações.

Existe um planejamento, um cronograma para nortear esse debate?

Os fóruns já funcionam desde o ano passado. Temos 13 estados em que os fóruns funcionam muito bem, cinco em que começam a engrenar agora e nove que estavam previstos para começar a funcionar em abril, ou seja, para cada estado a articulação é diferente. Mato Grosso é um exemplo de bom funcionamento, articulado, e agora vamos fomentar os centros de formação de professores estaduais. Mato Grosso, Bahia e Paraná têm centros de formação ligados às secretarias estaduais e eles começarão a trabalhar articulados conosco na formação continuada. Começamos no ano passado com a inscrição dos professores na formação inicial, a validação. Houve matrículas para o segundo semestre de 2009, com as matrículas para o segundo semestre de 2010. O cronograma é até o final de 2011. E o MEC lançou agora o edital para a Rede Nacional de Formação Continuada, em que chamamos as universidades para que elas ofereçam cursos - já temos uma rede, agora ampliamos - e para que esses cursos sejam oferecidos como fazem, por exemplo, a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade Federal de Minas Gerais. Ambas têm o Pró-letramento, para professores das séries iniciais. Qualquer município do Brasil pode escolher esse curso e a universidade que recebe o recurso do MEC se articula diretamente com o município para oferecer o curso.
Até o final do fevereiro deste ano, cerca de mil municípios ou não estavam fazendo o acompanhamento do PAR, ou não faziam de forma de adequada. Muitos alegavam não ter acompanhamento técnico adequado do MEC. A formação de pessoal técnico não precisa ser acelerada?Estamos nos articulando com as universidades para que elas façam o monitoramento. Já repassamos recursos, a parte de construção e reformas de escolas, de compra de mobiliário tem funcionado bem. A Renilda Peres de Lima, diretora do FNDE, está fazendo, com nossa diretoria de articulação com sistemas, o monitoramento, mas nós começamos com os 1.822 municípios de baixo Ideb e os grupos de trabalho das 172 maiores cidades do Brasil. Esse é o nosso foco inicial. Analisamos antes os prioritários e hoje devemos ter quase 5 mil planos de ações articuladas analisados, uns 400 e tantos na fila, e só 48 que não fizeram ainda o PAR.
Quais as chances de o governo atual aprovar os 10% do PIB propostos para a educação na Conae?

Aí já é um exercício de quiromancia. Digo a opinião da Secretaria de Educação Básica: quanto mais recursos tivermos, melhor para a educação. Apesar de termos triplicado o orçamento da educação de 2003 a 2010, passando de R$ 14,1 bilhões para R$ 51,7 bilhões, e estarmos chegando perto de 5% do PIB, ainda precisamos de mais recursos, pois temos uma grande dívida social. As creches, por exemplo, se tornaram efetivamente uma obrigação da educação a partir do ano 2000. Passamos de 9% para 18% de crianças de 0 a 3 anos atendidas em creches, mas ainda é pouco. E creche é o investimento mais alto da Educação Básica, pois o percentual criança-adulto tem de ser menor, a escola tem de ser menor, a infraestrutura, os equipamentos, tudo é diferenciado. É preciso um investimento alto. O governo federal já financiou 1.720 escolas infantis em parceria com os municípios. Mas precisamos fazer 1.500 por ano para atingir a meta do PNE, que é de 50% das crianças de 0 a 3 atendidas. Então, é preciso haver mais recursos. Obviamente que bem geridos, com foco, com projetos estruturadores. Mas, se for 7% do PIB, ótimo, se for 10%, maravilhoso. Nós, da educação, nunca vamos achar que a parcela de recursos do país para a educação não deve crescer, principalmente para a Educação Básica.

Fonte: Revista Escola Pública -Maio/Junho 2010

Reportagem de Rubens Barros

domingo, 6 de junho de 2010

I CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL DO ESTADO DE ALAGOAS



INFORMAÇÕES
O I Congresso Internacional de Educação Infantil, contará com palestrantes voluntários dos Estados Unidos, Portugal, Inglaterra, São Paulo, Alagoas, Mato Grosso do Sul e Paraná.
A abordagem dos palestrantes, terá como foco o sub-tema: “ O brincar como direito da criança”.As palestras terão duração de 2 horas, sendo 30 minutos direcionados para as perguntas dos participantes.
Ao todo serão doze palestrantes, muitos deles com publicações de livros.
Local do Evento:Centro de Convenções de Maceió
Credenciamento dia 14/07/2010 Horário: 7h30 às 8h30
A inscrição inclui: A participação no Congresso Internacional de Educação Infantil, Programa Oficial do Evento, Crachá, Bloco e Caneta.
Certificados Emitidos pela Associação Carlo Novello, com carga horária de 40 horas.
Dúvidas e maiores informações, envie um email para contato@escolaestreladomar.org.br

PROGRAMAÇÃO

14 de Julho (Quarta-feira)

7h30 às 8h30 - Credenciamento
8h30 – Abertura
Palestras:
09h - Rita Coelho (Coordenadora Geral de Educação Infantil do Ministério da Educação) Política Nacional de Educação Infantil: Pelo direito das crianças de 0 a 6 anos à Educação.
10h30 - Telma Vitoria (professora da Universidade Federal de Alagoas) Os Fazeres da Educação Infantil com as Famílias.
12h às 14h – Intervalo
14h - Lenira Haddad (professora da Universidade Federal de Alagoas) Abordagem Educativa High/Scope e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil/2009.
16h30 - José Pacheco (fundador da Escola da Ponte, em Portugal) Organização da Escola para a Diversidade.

15 de Julho (Quinta-feira)

8h - Nelson Guerchon (neuropediatra, no Paraná) Desenvolvimento Neurológico do Aprendizado de 0 a 6 anos
10h30 - Laura Schulkind e Steve Waechter (músicos, nos Estados Unidos)A Importância da Musicalidade na Educação Infantil.
12h às 14h. Intervalo
14h - Manuel Sarmento (diretor do Cento de Educação da Universidade do Minho, em Portugal) Culturas da Infância e Educação
16h30 - Fátima Coimbra (professora de Jardim de Infância, em Portugal) O Projeto como Forma Lúdica de Aprendizagens.

16 de Julho (Sexta-feira)

8h - Odália Almeida (professora da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul) É hora de brincar, é hora de ser criança, é hora de valorizar as Culturas da Infância.
10h30 - Francis Wardle (professor da Universidade de Phoenix, nos Estados Unidos) Novas Pesquisas sobre o Cérebro para Ensinar as Crianças.
12h às 14h – Intervalo
14h - Nádia Silveira – (professora do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia de Alagoas) A utilização do jogo na sala de aula.
16h30 - Cleriston Izidro dos Anjos (professor da Universidade Federal de Alagoas) O jogo e a brincadeira na perspectiva da teoria das múltiplas inteligências.

INVESTIMENTO
As incrições serão realizadas apenas através de depósitos bancários, em nome da Associação Carlo Novello
Inscrição: R$ 250,00
Alunos de Graduação e pós-graduação:R$ 175,00
Dados bancários:Banco BradescoAgência: 3229-8Conta Corrente: 47227-1
O comprovante de depósito deverá ser encaminhado juntamente com a Ficha de Inscrição, devidamente preenchida, para a sede da Associação Carlo Novello, (Escola Estrela do Mar).End. Rua Jorge Montenegro Barros, 3330, Santa Amélia, Maceió, Alagoas. Tel. (82) 3314-2752.

terça-feira, 1 de junho de 2010

COM A PALAVRA: JOSÉ PACHECO


Não haveria momento mais oportuno como esse para me fortalecer enquanto pessoa e profissional E pensar, que as vezes, até me pego fazendo questionamentos inadequados à minha própria consciência, pois em um mundo onde todos querem fazer o que é mais fácil e o que dá menos trabalho, preferencialmente aquilo que uma multidão de outras pessoas já faz, é muito difícil ser "diferente".
Então, quando me deparo com ideias semelhantes às minhas, com olhares tão profundos para com a educação, como também costumo ter, fico imensamente feliz, pois mesmo sabendo que são poucos, ainda há educadores que também pensam e compartilham das mesmas utopias que eu. E a existência disso é muito importante para mim.
Para "brindar" tamanha satisfação, quero compartilhar com vocês uma entrevista concedida por José Pacheco ao site Uol Educação. Entre tantas que já li, posso afirmar, sem dúvida alguma, que é uma das mais coerentes reflexões feitas acerca da educação brasileira.


"TRABALHO HÁ MAIS DE 30 ANOS COM ESCOLA QUE NÃO TEM AULA, SÉRIE E PROVA, E DÁ CERTO", DIZ EDUCADOR PORTUGUÊS

Idealizador da Escola da Ponte, em Portugal, instituição que, em 1976, iniciou um projeto no qual os estudantes aprendem sem salas de aula, divisão de turmas ou disciplinas, o educador português José Pacheco afirma que as escolas tradicionais são um desperdício para os estudantes e os professores. “O que fiz por mais de 30 anos foi uma escola onde não há aula, onde não há série, horário, diretor. E é a melhor escola nas provas nacionais e nos vestibulares", diz. "Dar aula não serve para nada. É necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito tempo e muita reflexão."Aos 58 anos, o professor que classifica autores como Jean Piaget como "fósseis", fez uma peregrinação pelo país. No trabalho de prospecção de boas iniciativas em colégios brasileiros, Pacheco só não conheceu instituições do Acre e do Amapá e diz ter somado cerca de 300 voos no último ano.Com a experiência das viagens, escreveu dois livros de crônicas: o "Pequeno Dicionário de Absurdos em Educação", da editora Artmed, e o "Pequeno Dicionário das Utopias da Educação", da editora Wak. Aponta ainda que a educação brasileira não precisa de mais recursos para melhorar: "O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os recursos e os desperdiça". Veja a entrevista:


UOL Educação - Em suas andanças pelo país, qual o absurdo que mais chamou sua atenção?
Pacheco - O maior absurdo é que a educação do Brasil não precisa de recursos para melhorar. O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os recursos e os desperdiça.

UOL Educação - Desperdiça como?
Pacheco - Pelo tipo de organização. A começar pelo próprio Ministério da Educação. Eu brinco, por vezes, dizendo que o melhor que se poderia fazer pela educação no Brasil era extinguir o Ministério da Educação. Era a primeira grande política educativa.

UOL Educação - Qual o problema do ministério?
Pacheco - Toda a burocracia do Ministério da Educação que se estende até a base, porque a burocracia também existe nas escolas, à imagem e semelhança do ministério. No próprio ministério, o contraste entre a utopia e o absurdo também existe. Conheço gente da máxima competência, gente honesta. O problema é que, com gente tão boa, as coisas não funcionam porque o modo burocrático vertical não funciona. É um desperdício tremendo.

UOL Educação - Como resolver?
Pacheco - Teria de haver uma diferente concepção de gestão pública, uma diferente concepção de educação e uma revisão de tudo o que é o trabalho.UOL Educação - O que teria de mudar na concepção de educação?Pacheco - O essencial seria que o Brasil compreendesse que não precisa ir ao estrangeiro procurar as suas soluções. Esse é outro absurdo. Quais são hoje os autores que influenciam as escolas? Vygotsky [Lev S. Vygotsky (1896-1934)], Piaget [Jean Piaget (1896-1980)]? Não vejo um brasileiro. Mas podem dizer: "E Paulo Freire?". Não vejo Paulo Freire em nenhuma sala de aula. Fala-se, mas não se faz.
Identifiquei, nos últimos anos, autores brasileiros da maior importância que o Brasil desconhece. Esse é outro absurdo. Quem é que ouviu falar de Eurípedes Barsanulfo (1880-1918)? De Tomás Novelino (1901-2000)? De Agostinho da Silva (1906-1994)? Ninguém fala deles. Como um país como este, que tem os maiores educadores que eu já conheci, não quer saber deles nem os conhece?Há 102 anos, em 1907, o Brasil teve aquilo que eu considero o projeto educacional mais avançado do século 20. Se eu perguntar a cem educadores brasileiros, 99 não conhecem. Era em Sacramento, Minas Gerais, mas agora já não existe. O autor foi Eurípedes Barsanulfo, que morreu em 1918 com a gripe espanhola. Este foi, para mim, o projeto mais arrojado do século 20, no mundo.

UOL Educação - O que tinha de tão arrojado?
Pacheco - Primeiro, na época, era proibida a educação de moços e moças juntos. Só durante o governo Getúlio Vargas é que se pôde juntar os dois gêneros nos colégios. Ele [Barsanulfo] fez isso. Ele tinha pesquisa na natureza, tinha astronomia no currículo oficial. Não tinha série nem turma nem aula nem prova. E os alunos desse liceu foram a elite de seu tempo. Tomás Novelino foi um deles e Roberto Crema, que hoje está aí com a educação holística global, foi aluno de Novelino.

UOL Educação - Por que o senhor fala desses autores?
Pacheco - Digo isso para que o brasileiro tenha amor próprio, compreenda aquilo que tem para que não importe do estrangeiro aquilo que não precisa. É um absurdo ter tudo aqui dentro e ir pegar lá fora.

UOL Educação - Qual foi a maior utopia que o senhor viu?

Pacheco - O Brasil é um país de utopias, como a de Antônio Conselheiro e a de Zumbi dos Palmares. Fui para a história, para não falar em educação. Na educação, temos Agostinho da Silva, que é um utópico coerente, cuja utopia é perfeitamente viável no Brasil. Ou seja, é possível ter uma educação que seja de todos e para todos. O Brasil, dentro de uns 30 ou 40 anos, será um país bem importante pela educação. São os absurdos que têm de desaparecer, para dar lugar à concretização das utopias. Acredito nisso, por isso estou aqui.

UOL Educação - Os professores são resistentes às mudanças?
Pacheco - Os professores são um problema e são a solução. Eu prefiro pensar naqueles professores que são a solução, conheço muitos que estão afirmando práticas diferentes.

UOL Educação - Práticas diferentes como a da Escola da Ponte?
Pacheco - Não são "como", mas inspiradas, com certeza. São práticas que fazem com que a escola seja para todos e proporcione sucesso para todos. UOL Educação - Dentro da escola tradicional, onde ocorre o desperdício de recursos?Pacheco - Se considerarmos o dinheiro que o Estado gasta por aluno, daria para ter uma escola de elite. Onde o dinheiro se desperdiça? Por que em uma escola qualquer, que tem turmas de 40 alunos, a relação entre o número de professores e de alunos é de um para nove? Por que os laudos e os atestados médicos são tantos? Porque a situação que se criou nas escolas é a do descaso. Esse é um absurdo.

UOL Educação - Onde mais ocorre o desperdício nas escolas?
Pacheco - O desperdício de tempo também é enorme em uma aula. Pelo tipo de trabalho que se faz, quando se dá aula, uma parte dos alunos não tem condições de perceber o que está acontecendo, porque não têm os chamados pré-requisitos, e se desliga. Há um outro conjunto de crianças que sabem mais do que o professor está explicando - e também se desliga. Há os que acompanham, mas nem todos entendem o que o professor fala. Em uma aula de 50 minutos, o professor desperdiça cerca de 20 horas. Se multiplicarmos o número de alunos que não aproveitam a aula pelo tempo, vai dar isso.O desperdício maior tem a ver com o funcionamento das escolas. Os professores são pessoas sábias, honestas, inteligentes e que podem fazer de outro modo: não dando aula, porque dar aula não serve para nada. É necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito tempo e muita reflexão.

UOL Educação - As famílias não estão acostumadas com escolas que não têm classe, professor ou disciplinas. Querem o conteúdo para o vestibular. Como se rompe com esse tipo de mentalidade?
Pacheco - Pode-se romper mostrando que é possível. Eu falo do que faço, e não de teorias. O que fiz por mais de 30 anos foi uma escola onde não há aula, onde não há série, horário, diretor. E é a melhor escola nas provas nacionais e nos vestibulares. Justamente por não ter aulas e nada disso.

UOL Educação - Por que uma escola que não tem provas forma alunos capazes de ter boas notas em provas e concursos?
Pacheco - Exatamente por ser uma escola, enquanto as que dão aulas não são. As pessoas têm de perceber que não é impossível. E mais, que é mais fácil. Posso afirmar, porque já fiz as duas coisas: estive em escolas tradicionais, com aulas, provas, com tudo igualzinho a qualquer escola; e estive também 32 anos em outra escola que não tem nada disso. É mais fácil, os resultados são melhores.

UOL Educação - Na concepção do senhor, o que é uma boa escola?
Pacheco - É a aquela que dá a todos condições de acesso, e a cada um, condições de sucesso. Sucesso não é só chegar ao conhecimento, é a felicidade. É uma escola onde não haja nenhuma criança que não aprenda. E isso é possível, porque eu sei que é. Na prática.

UOL Educação - O professor que está em uma escola tradicional tem espaço para fazer um trabalho diferente? O senhor vê espaço para isso?
Pacheco - Não só vejo, como participo disso. No Brasil, participei de vários projetos onde os professores conseguiram escapar à lógica da reprodução do sistema que lhe é imposto. Só que isso requer várias condições: primeiro, não pode ser feito em termos individuais; segundo, a pessoa tem de respeitar que os outros também têm razão. Se, dentro da escola, os processos começam a mudar e os resultados aparecem, os outros professores se aproximam. Não tem de haver divisionismo.

UOL Educação - O senhor acha que a mudança na estrutura da escola poderia partir do poder público ou depende da base?
Pacheco - Acredito que possa partir do poder público, mas duvido que aconteça. As secretarias têm projetos importantes, mas são de quatro anos. Uma mudança em educação precisa de dezenas de anos. Precisa de continuidade. E isso é difícil de assegurar em uma gestão. Precisa partir de cada unidade escolar e do poder público juntos.

Entrevista concedida em 30 de junho de 2009

CNE DISCUTE PROJETO PARA ACABAR COM REPROVAÇÃO NOS PRIMEIROS TRÊS ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL


O CNE (Conselho Nacional de Educação) discute um projeto que quer acabar com a reprovação nos três primeiros anos do ensino fundamental, tornando-os um grande “ciclo” de alfabetização. O texto, que deve entrar na pauta do órgão em julho, pode provocar uma mudança no sistema educacional dividido em séries.
Para que o ciclo de três anos entre em vigor, seria necessário que estados e municípios –que têm autonomia para fazer a gestão de seus sistemas educacionais– mudassem a forma seriada de aprendizagem, no qual, no final de cada ano, é feita uma avaliação que pode provocar a reprovação do aluno. A norma que pode sair do CNE não tem o poder de determinar essa mudança e ainda precisaria ser homologada pelo ministro Fernando Haddad.
Segundo a presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, Clélia Brandão, a proposta não significa aprovação automática. “Esse período de três anos é de acompanhamento. A criança tem uma maturidade cognitiva referente aos seus seis ou sete anos. Muitas vezes, a retenção constitui-se mais um desestímulo do que um estímulo. Nós temos que nos preocupar com a aprendizagem”, diz.
“Não dá pra você continuar organizando a educação básica da forma que ela vem sendo organizada. Essa forma restringe muito a possibilidade de o aluno aprender de uma forma diferente, porque está todo mundo dentro da série”, afirma Célia.
“A lei brasileira não pode fixar, dizer que a educação básica vai ser seriada ou em ciclos. A princípio, está sendo discutida uma questão de indução do processo”, diz o diretor de concepções e orientações curriculares da Secretaria de Educação Básica do MEC (Ministério da Educação), Carlos Artexes Simões. Segundo ele, 3,5% das crianças de até seis anos são reprovadas na escola.
Para Demerval Saviani, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a proposta em tramitação no CNE pode tirar um pouco do que ele chamou de “confusão” dos nove anos no ensino fundamental. “A gente pode imaginar que essa medida, os ciclos de três anos, vem de algum modo tentar equacionar a questão do ensino fundamental de nove anos, começando aos seis”, afirmou. “O MEC tem tomado medidas que, às vezes, se superpõem e se contradizem em si. [Os nove anos] Criaram uma situação um pouco confusa. Não ficou definido o status do ultimo ano da educação infantil e o primeiro do ensino fundamental.”
Em São Paulo, já ocorre a chamada “progressão continuada”, em que o aluno só pode ser retido nos 5° e 9º anos do ensino fundamental e no 3º ano do ensino médio –mesmo assim, apenas uma vez. Ele também precisa cumprir uma frequencia mínima de 75% em todas as séries.

FONTE: Uol Notícias

Reportagem de Rafael Targino

segunda-feira, 31 de maio de 2010

CONGRESSO INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA 2011


O Ministério de Educação de Cuba, tem o prazer de anunciar a próxima edição do Congresso Internacional de Pedagogia que vai se realizar em Havana - Cuba de 24 a 28 de Janeiro de 2011. Na sua última realizacao em 2009, o Congresso reuniu mais de 4.500 congressistas, com grande participacao Brasileira no Evento.
Trabalhos Acadêmicos
O Comitê já está recebendo os resumos que serão avaliados e farão parte do Programa Cientifico.os trabalhos academicos podem ser enviados através do site :http://www.lionstours.com/pedagogia2011.html

Temas principais do Congresso
Educação e formação de valores
Formação integral e Educação científica no desenvolvimento da : Educação pré escolar - Educação Especial - Educação Primária - Educação Secundária - Educação pré Universitária - Educação Técnica e Profissional - Educação e Jovens e Adultos
Educação Superior
Graduação e pos graduação de profissionais da Educação
Alfabetrização e pós alfabetização
Integração dos agentes e agências socializadores na Educação - Escola - Família - Outras organizações comunitárias e organizações
Educação Física, Energética e Ambiental, Artística, da saude e da sexualidade
Avaliações da qualidade da Educação
Ciências da Educação e Pesquisa Educacional
Históricos e Estudos comparativos em Educação
O Pensamento educacional de Simon Bolivar, José Marti e outros líderes da America Latina - a validade e aplicação das políticas e sistemas educativos na America Latina e Caribe
O Ensino da História na Educação
A Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) na Educação
Organização e Patrocinadores
UNESCO
ORCACL - HAVANA
OEI - Organização dos Estados Ibero Americanos para Educacion, Ciencia y Cultura
UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a Infancia
CEA - Confederacion de Educadores AmericanosALEAC Asociacion de Educadores da America Latina y Caribe
UNFPA - United Nations Population Fund
CREFAL - Centro de Cooperacion Regional para la Educacion en Adultos en America Latina
CEAAL - Consejo de Educacion de Adultos en America Latina
ORGANIZAÇÃO DO CONGRESSO - Ministério de Educação de Cuba

domingo, 30 de maio de 2010

ESCOLA E COMUNIDADE: UMA RELAÇÃO POSSÍVEL

A parceria entre escola e comunidade é extremamnete importante para a garantia de uma Educação de qualidade. Sem essa parceria, o trabalho educacional desenvolvido junto ao aluno pode ficar bastante prejudicado. Devido a importância dessa temática, o nosso blog trará, durante essa semana, um conjunto de reportagens, vídeos e artigos com dicas relevantes sobre o assunto, fazendo-nos perceber o quanto é fundamental estabelecer um vínculo duradouro e produtivo entre a comunidade e a escola na qual o aluno está inserido.
Como atrair os pais para a escola
Veja como é possível estreitar a relação com a família e formar uma parceria produtiva
Todo educador sabe que o apoio da família é crucial no desempenho escolar. Pai que acompanha a lição de casa. Mãe que não falta a nenhuma reunião. Pais cooperativos e atentos no desempenho escolar dos filhos na medida certa. Esse é o desejo de qualquer professor. Segundo um estudo publicado no Journal of Family Psychology, da Associação Americana de Psicologia, as crianças que freqüentam festas e reuniões familiares têm mais saúde, melhor desempenho escolar e maior estabilidade emocional. E mesmo o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), apontou que nas escolas que contam com a parceria dos pais, onde há troca de informações com o diretor e os professores, os alunos aprendem melhor. Diversos educadores brasileiros também defendem que a família realize um acompanhamento da escola, verificando se seus objetivos estão sendo devidamente alcançados. Essa atuação dos pais ainda é bem rara, de acordo com os resultados de pesquisa realizada no ano passado pelo Observatório do Universo Escolar. A instituição, um braço do Instituto La Fabbrica do Brasil, parceira do Ministério da Educação, ouviu mais de 100 pais e educadores da rede pública e privada de todo país e constatou que só 13% das escolas públicas mantêm um relacionamento próximo com a família. Por outro lado, 43,7% dos pais de alunos da rede pública acreditam que, se fossem promovidos mais encontros e palestras interessantes, haveria maior integração com a escola. Por que pais e professores ainda não conseguem se entender? Segundo a mesma pesquisa, a maior parte dos educadores atribui aos pais a origem dos problemas de disciplina. E apontam como fatores o novo modelo familiar, no qual os adultos permanecem pouco tempo em casa, ou ainda aquele que apresenta uma organização diferente da tradicional.
Confusão de papéis
Para a pedagoga Márcia Argenti Perez, do campus da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, que estuda os conflitos entre a escola e a família, a culpa é do tempo maluco em que vivemos. "Mudanças que antes ocorriam em 100 anos agora acontecem em dez e está muito difícil acompanhar as novas exigências sociais e culturais", diz. Hoje há uma confusão de papéis, cobranças para as duas instituições e novas atribuições profissionais para você. "Parece haver, por um lado, uma incapacidade de compreensão por parte dos pais a respeito daquilo que é transmitido pela escola. Por outro lado, há uma falta de habilidade dos professores em promover essa comunicação", afirma outro estudioso do assunto, o professor Vítor Paro, também da USP. A escola deve utilizar todas as oportunidades de contato com os pais para passar informações relevantes sobre seus objetivos, recursos, problemas e também sobre as questões pedagógicas. Só assim eles vão se sentir comprometidos com a melhoria da qualidade escolar. Muitas instituições não informam à família sobre o trabalho ali desenvolvido e isso dificulta o diálogo. "Ou os pais cobram o que não deveria ser cobrado ou ficam desmotivados e não participam de uma comunidade que não deixa claros seus objetivos e dinâmicas", afirma Márcia.
Como melhorar a relação
A discussão deve avançar na procura das melhores oportunidades de promover um encontro positivo entre pais e professores. Para isso acontecer, alguns conceitos precisam ser revistos. Perceba a construção da família atual e não mistifique o modelo do passado como ideal. Tenha claro que é direito dos responsáveis pelos estudantes opinar, fazer sugestões e participar de decisões sobre questões administrativas e pedagógicas da escola. "A educação é um serviço público, e o pai, um cidadão que deve acompanhar e trabalhar pela melhoria da qualidade do ensino", afirma a consultora pedagógica Raquel Volpato, de Botucatu (SP). Apóie a Associação de Pais e Mestres, para que ela não se restrinja a apenas arrecadar dinheiro. Não dá para contar com os pais apenas na organização de festas. Para que as reuniões tenham quórum, é preciso ter objetivos bem definidos e conhecer as famílias e a comunidade em que a escola está inserida. Planejamento é essencial. "A reunião não pode ser vista como uma prestação de contas", diz a pedagoga Márcia Argenti Perez. Reflita sobre os preconceitos e as discriminações existentes na escola. Não é necessariamente o grau de instrução do pai e da mãe que motiva uma criança ou um adolescente a estudar, mas o interesse em participar de suas lições de casa e da vida escolar. "Como muitos pais têm um histórico de exclusão e fracasso escolar, existe medo e vergonha de trocar idéias e conversar com os educadores", afirma Márcia. Não parta do princípio de que a família precisa ser ajudada pela escola e sim de que a escola precisa dela. Todo diretor tem que dar conta da participação familiar e para isso a gestão não pode ser autoritária.
Quer saber mais?
Unidade de Educação Infantil Erê, Passagem Nossa Senhora da Guia, s/nº, 66115-320, Belém, PA, tel. (0_ _91) 233-8454
BIBLIOGRAFIA
Qualidade do Ensino: A Contribuição dos Pais, Vitor Henrique Paro, 126 págs., Ed. Xamã, tel. (0_ _11) 5081-3939, 14 reais
Reunião de Pais: Sofrimento ou Prazer?, Beate G. Althuon e outros, 116 págs., Ed. Casa do Psicólogo, tel. (0_ _11) 3034-3600, 14 reais

quarta-feira, 26 de maio de 2010

SEMANA DE PEDAGOGIA VAI DEBATER A FORMAÇÃO DE PROFESSORES

A Semana de Pedagogia 2010, promovida pelo Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas, será realizada a partir desta segunda-feira, 31 de maio, até o dia 2 de junho, no Cedu, no Campus Maceió. A temática escolhida foi “Cultura(s), Identidade(s) e Formação de Professores”, com o objetivo de discutir questões relativas à diversidade cultural e a construção de identidades na educação, pondo em evidência questões que permeiam a formação de professores nos âmbitos curriculares, filosóficos, políticos e didáticos.
A programação procura incluir na discussão diversas áreas, além de trazer os elementos que constituem uma abordagem multirreferencial. Serão contemplados variados assuntos: Educação a Distância, Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos, Arte, Literatura, Atividades Lúdicas, Música, Questões Raciais, Pesquisa e Formação de Professores, dentre outros.
A Semana de Pedagogia 2010 é organizada por uma comissão composta de professores, alunos e funcionários, tendo à frente o Colegiado do Curso de Pedagogia e o Centro Acadêmico Paulo Freire, contando com o apoio da Reitoria, da Coordenadoria Institucional de Educação a Distância (Cied) e da Pró-reitoria de Extensão (Proex).
As inscrições podem ser feitas na sala do Centro Acadêmico, localizada no Centro de Educação (Cedu), no Campus A. C. Simões, das 8h às 21h, até o dia 31 de maio. O valor da inscrição varia de acordo com o perfil: estudantes (R$ 10,00), professores da educação básica (R$ 20,00), professores de ensino superior (R$30,00).

Abaixo segue programação completa:

Dia 31/05

MANHÃ

7 h 30 às 9 h 30 - Credenciamento
9 h 30 - Atividade cultural 1/Abertura
10 h 15 - Conferência: Cultura(s), Identidade(s) e Formação de Professores
Profa. Dra. Maria Luísa Merino Xavier (UFRGS)
12 h - Encerramento

TARDE

13 h 30 - Mesa redonda: Gênero, etnia e sexualidade na formação docente
Prof. Dr. Henrique Cunha - UFC
Profa. Dra. Elvira Simões Barretto - FEAC/UFAL
Coordenação: Profa. Dra. Nanci Helena Rebouças Franco - CEDU/UFAL
15 h 30 - Debate
16 h - Atividade cultural 2.
16 h15 - Comunicação oral
18 h - Encerramento

NOITE

18 h 30 - Atividade cultural 3.
19h - Comunicação oral
20 h - Mesa redonda 1: Políticas Públicas em Educação: diretrizes e pressupostos em discussão
Profa. Dra. Maria Edna de Lima Bertoldo - CEDU/UFAL
Profa. Dra. Maria do Socorro Aguiar de Oliveira Cavalcante - CEDU/UFAL
Prof. Ms. Ricardo da Silva
Coordenação: Profa. Dra. Ana Maria Gama Florêncio - CEDU/UFAL
Mesa redonda 2: Arte e Ludicidade na formação humana
Profa. Ms Giselly Lima de Moraes - CEDU/UFAL
Profa. Dra. Leda Maria de Almeida - CEDU/UFAL
Coordenação: Prof. Ms. Cleriston Izidro dos Anjos - CEDU/UFAL
21h - Debate


Dia 01/06

7 h 30 - Oficinas e Mini-cursos
12 h - Encerramento
13 h 30 - Oficinas e Mini-cursos
18 h - Encerramento
19 h - Oficinas e Mini-cursos
22 h 30 - Encerramento

Dia 02/06

MANHÃ

7 h 30 - Mesa redonda: Identidade(s) e a formação de professores no Curso de Pedagogia.
Prof. MS José Cosme Drumond – PUC/MG
Profa Dra. Kátia Maria de Melo - CEDU/UFAL
Coordenação: Profa. Dra. Suzana Barrios - CEDU/UFAL
9 h 30 - Debate
10 h - Atividade cultural 1
10 h15 - Comunicação oral
12 h - Encerramento

TARDE

13 h 30 - Apresentação de pôster
15 h 30 - Atividade cultural 2
16 h - Mesa redonda: A produção de subjetividades e TICs na formação docente
Profa. Dra. Maria Auxiliadora Silva Freitas - CEDU/UFAL
Profa. Dra. Deise Juliana Francisco - CEDU/UFAL
Profa. Luis Paulo Leopoldo Mercado - CEDU/UFAL
Profa. Cleide Jane de Sá Araujo Costa - CEDU/UFAL
Coordenação: Profa. Dra. Anamelea de Campos Pinto - CEDU/UFAL
18 h - Encerramento

NOITE

18 h 30 - Palestra: Interculturalidade e a educação de adultos
Prof. Dr. César Picón – Universidade Maior de San Marcos do Perú
Coordenação: Profa. Dra. Marinaide Lima de Queiroz Freitas - CEDU/UFAL
20 h 30 - Debate
21 h - Atividade cultural 3
22 h 30 - Encerramento
Mini cursos e Oficinas:

Dia 01/06

MANHÃ


2. De olho no preconceito: uma análise sobre os personagens negros em livros para crianças e adolescentes
Profa. Dra. Nanci Franco

3. Processo de disciplinamento na escola - (sala de seminário CEDU))
Profa. Dra. Maria Luísa Merino Xavier (UFRGS)

4. Atividades psicomotoras e jogos pedagógicos (oficina)
Profa. Cidete Melo

5. A formação do leitor literário na escola.
Profa. MS Giselly Lima de Moraes e Profa. MS Edna Telma Fonseca e Silva Vilar

6. Cartografia digital: o uso de mapas conceituais como procedimento de avaliação.
Profa. Dra. Maria Auxiliadora Silva Freitas

7. Educação quilombola e educação indígena
Prof. José Bezerra da Silva

TARDE

14 h – 18 h

8. A leitura da linguagem cartográfica
Profa. Dra. Maria das Graças Marinho de Almeida

9. História, cultura e formação docente
Profa. Dra. Maria das Graças Madeiro Loiola, Profa. Dra. Elione e Prof. MS Wilson Sampaio.

10. O uso do rádio na Educação
Profa. Dra. Anamelea de Campos Pinto e MS Mary Lourdes Scofield Osório

11. A educação artística da criança
Prof. MS Cleriston Izidro dos Anjos e Profa Rozana Machado Bandeira de Melo

12. Interdisciplinaridade na Dança e na formação docente
Profa.Nadir Nóbrega – ICHCA

13. As funções de mobilização social dos Conselhos de Educação: limites e possibilidades.
Profa. MS Irailde Correia de Souza Oliveira

14. Concepção e construção de mapas conceituais a partir do CmapTools
Profa. Dra. Deise Juliana Francisco
Estudante Rafael André de Barros

NOITE

19 h – 22 h

15. A criança e a música: subsídios para a atividade docente (oficina)
Cleriston Izidro dos Anjos e Rui Cipelli de Brito

16. A importância do livro didático de português para a produção de texto
Prof. Dr. Eduardo Calil.

17. Movie maker na educação.
Profa. Dra Deise Juliana Francisco
Mestranda Jaqueline Felix
Mestranda Tatiane Campos

18. Sociologia da Educação do Campo: políticas públicas, técnica e conhecimento na perspectiva do trabalho.
Prof. Dr. Ciro Bezerra

19. O Plano Municipal de Educação de Maceió, a CONAE e a diversidade cultural.
Profa. Esp. Edna Lopes do Nascimento - presidenta do COMED/Maceió e Coordenadora Estadual da UNCME.

20. Gestão escolar e os índices de desenvolvimento da educação em Alagoas
Prof. MS Tiago Leandro Neto.

21. Educação Ambiental "Construção de Com Vidas" (oficina)
Profa. Maria Helena Ferreira Pastor Cruz

22. Poliedros ou balões de São João? (oficina)
Profa. Ms. Lúcia Cristina Silveira Monteiro

domingo, 23 de maio de 2010

O DRAMA DO PROFESSOR

Muitas vezes, em diversas opiniões dadas por mim em relação à educação brasileira , costumo apontar que há uma diferença entre "professores" e "educadores". E quando me reporto a essa comparação tenho em mente,exatamente, os conceitos,tão bem colocados por Rubem Alves, quando faz um comparativo dessas duas figuras aos eucaliptos e jequitibás.
Com base nisso, quero trazer hoje, por meio desse blog, um artigo bastante reflexivo sobre as atuais "responsabilidades" de um educador no século XXI.
Quero deixar bem claro que não se trata aqui de criticar o fato dos educadores se envolveram nas diversas instâncias do mundo educacional, mas da forma como essas "responsabilidades" vem sendo impostas a muito educadores em nosso país.
Espero que esse texto possa gerar uma grande reflexão em muitos de vocês. E que essas possam ser trazidas para a prática , para que soluções inteligentes venham surgir o quanto antes.

Por Dermeval Saviani
Diante das pressões para exercer várias funções, o educador ainda terá de participar da gestão escolar, da vida da comunidade e orientar os estudos dos alunos?
Como ocorre com os trabalhadores em geral, também os professores são instados a se aperfeiçoar continuamente. O mercado e seus porta-vozes governamentais querem um professor ágil, leve, flexível, que, a partir de uma formação inicial ligeira e a baixo custo, aprimore sua qualificação no exercício docente refletindo sobre sua prática, apoiado, eventualmente, por cursos rápidos. Pede-se, ainda, que você não apenas ministre suas aulas, mas também participe da elaboração do projeto pedagógico das escolas, da vida da comunidade, da gestão da escola e do acompanhamento dos estudos dos alunos. Você, como a maioria dos professores, não ficou imune ao canto da sereia das novas pedagogias. A descrença no saber científico e a procura de “soluções mágicas” do tipo reflexão sobre a prática, relações prazerosas, pedagogia do afeto, transversalidade dos conhecimentos e fórmulas semelhantes vêm ganhando a cabeça dos professores. Estabelece-se, assim, uma “cultura escolar” de desprestígio dos professores e dos alunos que querem trabalhar seriamente e de desvalorização da cultura elaborada. Nesse tipo de “cultura escolar”, o utilitarismo e o imediatismo da cotidianidade prevalecem sobre o trabalho paciente e demorado de apropriação do patrimônio cultural da humanidade. Com isso a escola foi sendo esvaziada de sua função específica ligada ao domínio dos conhecimentos sistematizados. Nesse quadro você, professor, é lançado na defensiva. Diante das pressões para exercer o conjunto de funções solicitadas, você responde: mas... eu já faço das tripas coração para ministrar, da melhor forma possível, um grande número de aulas, em três ou quatro escolas diferentes, para turmas numerosas de alunos... e ainda vou ter de participar da gestão da escola; da vida da comunidade e orientar os estudos dos alunos? O professor, que nos anos 80 participou da mobilização dos educadores, reivindicando maior participação nas decisões, agora se vê diante da seguinte cobrança: “Vocês não reivindicaram maior participação? Pois é. Suas reivindicações foram todas atendidas pela legislação. Portanto, o êxito da escola e da política educacional que a orienta depende apenas da iniciativa e dedicação de vocês, professores”. Eis aí o seu drama atual, caro professor. Na verdade, você também é vítima da inclusão excludente. Os dirigentes esperam que você exerça todo um conjunto de funções com o máximo de produtividade e o mínimo de dispêndio, isto é, com modestos salários. Claro que, se você fosse bem remunerado no âmbito de uma carreira docente que lhe garantisse jornada integral numa única escola, você poderia exercer sem maiores problemas as mencionadas funções. Cabe, pois, passar da defensiva à ofensiva, organizando fortemente a categoria dos professores e mobilizando toda a sociedade em torno da conquista de uma carreira docente digna e justa. Sem isso, todas as proclamações em torno da valorização da educação não passarão de promessas vãs.
FONTE: Revista Carta Escola, Maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

PROFESSOR NÃO APRENDE A AVALIAR ALUNO, DIZ ESPECIALISTA

Apenas 1% dos cursos de graduação para professores têm matérias específicas sobre provas e avaliações nacionais, afirma Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas. "O uso de avaliações por parte de professores depende de conhecimento e não do uso 'cego' ", salientou, durante palestra na feira Interdidática, ocorrida no final de abril, em São Paulo.
Ela pesquisou os currículos das licenciaturas e cursos de pedagogia brasileiros por meio de dados oficiais divulgados entre 2001 e 2006. A falta de disciplinas sobre avaliação se reflete em como os docentes avaliam seus alunos. Dentre exames feitos por professores e analisados por Bernardete, a pesquisadora afirma ter encontrado "provas incoerentes, feitas 'no joelho', que não foram pensadas com nenhum referencial didático contemporâneo".
Essa falta de formação-tanto para provas escolares quanto para governamentais (como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e a Prova Brasil)-é problemática, pois os docentes "saem sem formação minima para entender as avaliações e fazer críticas fundadas", aponta.
Os profissionais, de acordo com a professora, usam mais a "sensibilidade" do que conhecimentos acadêmicos para avaliar: "Não basta. Precisamos caminhar para ter processos de avaliação desenvolvidos pelo professor", diz.

Na escola
A pesquisadora explica que as avaliações podem alavancar mudanças no dia a dia escolar. Para isso, "é preciso saber fazer e saber ler os dados, interpretar, levantar aspectos pedagógicos, procurar soluções didáticas e mostrar possibilidades de superação de dificuldades pelos meios que dispomos nas escolas", diz.
E isso "bate" na formação docente: em seu estudo, Bernardete constata ainda que, nos cursos que oferecem formação em avaliações, o conteúdo dado trata-se mais de críticas do que de base teórica para entender seu funcionamento. "Os alunos só tem crítica abstrata daquilo que nem conhecem", diz.

Reformulação de currículo
Para resolver o"grande desafio da educação brasileira", segundo aponta a pesquisadora, é preciso que haja uma reformulação do currículo dado nas licenciaturas -tarefa a ser feita pelo governo e pelas universidades. "Nunca tivemos uma política pública da união em relação a aprimorar a formação das licenciaturas e, hoje, estamos numa situação relativamente caótica".
A docente critica a formação a distância, que exige uma alta capacidade de leitura e estudo que nem todos os estudantes têm e diz que os sindicatos deveriam cobrar a qualidade na formação em suas plataformas.
Outro fator apontado é a dificuldade que os graduandos de licenciatura têm em realizar o estágio obrigatório em escolas. "Como você vai fazer estágio de 1ª a 4ª série em curso noturno? Não existe. Eles fingem que fazem estágio... a maioria não faz", conta. Para evitar isso, a pesquisadora aponta que deveria haver mais bolsas para cursos diurnos em vez de noturnos.

Uso de avaliações
A professora diz que a cultura de avaliações começou a ser pensada no final dos anos 80 e se consolidou nos anos 90, enquanto outros países já tinham sistemas avaliativos. Apesar de hoje estarmos além do pensamento de provas como "punição" ou "seleção", a docente diz que as escolas brasileiras ainda usam avaliações apenas como "sinalizadores".
"Precisamos decifrar esses sinalizadores, isso depende de conhecer metodologicamente esses processos. Não estou dizendo de dominar firulas estatísticas, mas a lógica e seus conteúdos, que permitem interpretar esses processos para usá-los em sala de aula".
Reportagem de Ana Okada
FONTE: UOL Notícias

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O que é o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH)


Diariamente ouço queixas de educadores sobre o mau comportamento dos alunos em sala de aula. Muitos alegam que a inquietação de alguns deles é tamanha, e que se perde cerca de 50% do tempo destinado às aulas somente para tentar "acalmar" esse tipo de criança.

Está mais do que comprovado que não existe "receita mágica" para eliminar de uma única vez com esse tipo de situação, mas uma das primeiras estratégias que o educador deve fazer é tentar investigar para se saber se o problema que anda ocorrendo em sua sala é de fato um problema do aluno ou de sua prática pedagógica enquanto educador.

Abaixo segue uma reportagem publicada pela revista Nova Escola, na edição desse mês de abril, que pode contribuir para o esclarecimento de algumas dúvidas que o educador possa ter em relação a esse tipo de assunto.

Boa leitura!


Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade, veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção. Cinco pontos essenciais sobre esse transtorno


À primeira vista, a estatística soa alarmante: de 3 a 6% das crianças em idade escolar sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (o nome oficial do TDAH), que muita gente conhece somente como hiperatividade. Quer dizer então que, numa classe de 30 alunos, sempre haverá um ou dois que precisam de remédio? Não. Na maioria das vezes, o acompanhamento psicológico é suficiente. E, se o problema for bagunça ou desatenção, vale analisar se a causa não está na forma como você organiza a aula. "Geralmente, a inquietação costuma estar mais relacionada com a dinâmica da escola do que com o transtorno", diz Ma­u­ro Muszkat, especialista em Neuropsicologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quando o caso é mesmo de TDAH, são três os sintomas principais: agitação, dificuldade de atenção e impulsividade - que devem estar presentes em pelo menos dois ambientes que a crian­ça frequenta. Por tudo isso, nun­­ca é demais lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico. Veja cinco pontos essenciais sobre o transtorno.

1. Agitação não é hiperatividade - Há dias em que alguns alunos parecem estar a mil por hora e nada prende a atenção deles. Isso não significa que sejam hiperativos. O problema pode ter raízes na própria aula - atividades que exijam concentração muito superior à da faixa etária, propostas abaixo (ou muito acima) do nível cognitivo da turma e ambientes desorganizados e que favoreçam a dispersão, por exemplo. Em outras ocasiões, as causas são emocionais. "Questões como a morte de um familiar e a separação dos pais podem prejudicar a produção escolar", diz José Salomão Schwartzman, neurologista especialista em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Nesses casos, os sintomas geralmente são transitórios. Quando ocorre o TDAH, eles se mantêm e são tão exacerbados que prejudicam a relação com os colegas. Muitas vezes, o aluno fica isolado e, mesmo hiperativo, não conversa.

2. Só o médico dá o diagnóstico - Um levantamento realizado recentemente pela Unifesp aponta que 36% dos encaminhamentos por TDAH recebidos no setor de atendimento neuropsicológico infantil da instituição são originados da escola por meio de cartas solicitando aos pais que procurem tratamento para o filho. "Em muitos casos, o transtorno não se confirma", afirma Muszkat. A investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada. Hábitos, traços pessoais e histórico médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes. Como ocorre com a maioria dos problemas psicológicos (depressão, ansiedade e síndrome do pânico, por exemplo), não há exames físicos que o problema. Por isso, o TDAH é definido por uma lista de sintomas. Ao todo são 21 - nove referentes à desatenção, outros nove à hiperatividade e mais outros três à impulsividade.

3. Nem todos precisam de remédio - Entre os anos de 2004 e 2008, a venda de medicamentos indicados para o tratamento cresceu 80%, chegando a cerca de 1,2 milhão de receitas, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diversos especialistas criticam essa elevação, apontando-a como um dos sinais da chamada "medicalização da Educação" - a ideia de tratar com remédios todo tipo de problema de sala de aula. "Muitas vezes, o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola, para acolher melhor o comportamento do aluno, podem trazer resultados satisfatórios", explica Schwartz­wman. Quando a medicação é necessária, os estimulantes à base de metilfenidato são os mais prescritos pelos médicos. Ao elevar o nível de alerta do sistema nervoso central, ele auxilia na concentração e no controle da impulsividade. O medicamento não cura, mas ajuda a controlar os sintomas - o que se espera é que, juntamente com o acompanhamento psicológico, as dificuldades se reduzam e deixem de atrapalhar a qualidade de vida. Vale lembrar que o remédio é vendido somente com receita e, como outros medicamentos, pode causar efeitos colaterais. Cabe ao médico avaliá-los.

4. O diálogo com a família é essencial -Em alguns casos, os professores conseguem participar das reuniões com os pais e o médico. Quando isso não é possível, conversas com a família e relatórios periódicos enviados para o profissional da saúde são indicados para facilitar a comunicação. É importante lembrar ainda que não é por causa do transtorno que professores e pais devem pegar leve com a criança e deixar de estabelecer limites - a maioria das dificuldades gira em torno da competência cognitiva, da falta de organização e da apreensão de informações, e não da relação com a obediência. Durante os momentos de maior tensão, quando o estudante está hiperativo, manter o tom de voz num nível normal e tentar estabelecer um diálogo é a melhor alternativa. "Se o adulto grita com a criança, ambos acabam se exaltando rápido e, em vez de compreender as regras, ela pode pensar que está sendo rejeitada ou mal compreendida", diz Muszkat.

5. O professor pode ajudar (e muito) - Adaptar algumas tarefas ajuda a amenizar os efeitos mais prejudiciais do transtorno. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência. Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los, uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração. Outra dica é o trabalho em pequenos grupos, que favorece a concentração. Já a energia típica dessa condição pode ser canalizada para funções práticas na sala, como distribuir e organizar o material das atividades. Também é importante reconhecer os momentos de exaustão considerando a duração das tarefas. Propor intervalos em leituras longas ou sugerir uma pausa para tomar água após uma sequência de exercícios, por exemplo, é um caminho para o aluno retomar o trabalho quando estiver mais focado. De resto, vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. Esta, aliás, é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma.


Quer saber mais?
CONTATO: Mauro Muszkat
BIBLIOGRAFIA: No Mundo da Lua, Paulo Mattos, 182 págs., Ed. Leitura Médica, tel. (11) 3266-5739, 34 reais
Transtorno de Déficit de Atenção, José Salomão Schwartzman, 127 págs., Ed. Memnon, tel. (11) 5575-8444, 36 reais
INTERNET: Palestras online para educadores sobre o TDAH.
Reportagem de Bianca Bibiano
Fonte: Revista Nova Escola Edição 231 Abril 2010

domingo, 18 de abril de 2010

INFELIZMENTE, JÁ ERA PREVISTO!!!


MEC atrasa lei que padroniza entrada da criança na escola

Prometida para dezembro do ano passado, a proposta do Ministério da Educação para acabar com a confusão sobre a data de entrada das crianças no ensino fundamental de nove anos ainda não saiu do papel --o governo alterou a estratégia para padronizar as matrículas.
O ministério havia divulgado que no último mês do ano passado iria enviar ao Congresso projeto de lei instituindo que só quem fizesse seis anos até 31 de março do ano letivo pudesse entrar no primeiro ano.
Hoje, como a legislação não traz nenhuma data, há Estados que aceitam crianças mais novas que outros, o que causa reclamações dos pais e problemas em transferências de rede.
Em São Paulo, por exemplo, a rede estadual disse que sofreu pressão das famílias e alterou o critério já com o ano letivo em curso --13 mil crianças nascidas em 2003 puderam pular do primeiro para o segundo ano.
Agora, o MEC diz que a tramitação do projeto de lei demoraria meses e, por isso, desistiu de enviar a proposta --resolveu incluí-la em outro projeto, que já está no Senado. O texto trata de outras questões ligadas à educação. Ele ainda será discutido em audiência pública em maio. A partir daí, a relatora, Fátima Cleide (PT-RO), diz que irá decidir se o corte será 31 de março ou o final de junho.
Após essa decisão, o texto ainda tem que ser votado no Senado e na Câmara. Há ainda a possibilidade de a proposta ser transformada em emenda constitucional --que tem trâmite mais demorado. A expectativa é que a padronização entre em vigor em 2012.
Carlos Eduardo Sanches, presidente da Undime (entidade dos secretários municipais), diz que as crianças que entram no fundamental com menos de seis anos estão prejudicadas, pois ainda não estão preparadas para a alfabetização. Para o presidente da federação das escolas particulares, José Augusto Lourenço, a posição dos gestores se deve à incapacidade de receber todas as crianças de cinco anos no fundamental.
Reportagem de Angela Pinho

quinta-feira, 15 de abril de 2010

UM TERÇO DOS ESTUDANTES DE 5ª A 8ª SÉRIE FOI AGREDIDO NO ANO PASSADO, APONTA PESQUISA

Quase um terço dos estudantes brasileiros entre a 5ª e 8ª séries do primeiro grau já sofreram maus tratos. Segundo pesquisa divulgada hoje (14) pela ONG (Organização não-governamental) Plan Brasil, 28% dos 5.168 estudantes entrevistados para a pesquisa foram agredidos em 2009.
Quando esses maus tratos são recorrentes, acontecendo mais de três vezes no mesmo ano, configuram, de acordo com a metodologia da pesquisa, em bullying. O termo designa todo o tipo de atitudes agressivas, verbais ou físicas, praticadas repetidamente por um ou mais estudantes contra outro aluno. Estiveram envolvidos em bullying 17% dos estudantes: 10% como vítimas, 10% como agressores, sendo que 3% eram tanto os que sofreram como praticaram os maus tratos.
Os mais atingidos por esses fatos são os meninos. Segundo o estudo, 12,5% dos estudantes do sexo masculino foram vítimas desse tipo de agressão, número que cai para 7,6% entre as meninas. A sala de aula é apontado como local preferencial das agressões, onde acontecem cerca de 50% dos casos relatados.
As regiões onde a prática se mostrou mais frequente foram a Sudeste, com 12,1% dos estudantes assumindo ter praticado o bullying, e Centro-Oeste, onde 14% confessaram esse tipo de atitude. O Nordeste é a região do país onde o bullying é menos comum, apenas entre 7,1% dos estudantes.
A educadora Cléo Fante diz ser importante que os pais e professores estejam atentos e saibam diferenciar o bullying de uma brincadeira entre os jovens. “O bullying não é uma simples brincadeira de criança ou apelido que às vezes constrange. Tem casos que são gravíssimos, chegam a espancamentos. A criança não pode ir na escola, porque sabe que vai apanhar.”
Essas práticas violentas acabam por causar prejuízos na aprendizagem dos agredidos, os sintomas mais citados pelos jovens ouvidos foram a perda do entusiasmo, perda da concentração e o medo de ir à escola. Os agressores também têm problemas, segundo Cléo Fante. Muitos acabam ficando deslocados ao chegar ao ensino médio, quando o bullying é menos tolerado.
Ela exemplificou essa situação com base em um grupo de jovens agressores e agredidos que acompanha. “Muitos [dos jovens] já desistiram da escola. Um que foi morto pela polícia, era um agressor. Ele acabou desistindo da escola, se envolvendo com drogas, se envolvendo com gangues e com tráfico.”
A educadora disse que é difícil definir quais são os fatores que geram o bullying. De acordo com Fante, tanto a família como a escola propiciam, por diversos motivos, esse tipo de prática. Ela ressaltou a própria cultura divulgada pelos meios de comunicação como uma incentivadora da agressão. “Os programas humorísticos geralmente pegam como alvo grupos de minorias. É o anãozinho, o portador de nanismo, o negro, o homossexual. Então são esses grupos que eles fazem "zoação", que eles apelidam e constrangem”, exemplificou.
As escolas não tem, de acordo com Fante, estratégias para lidar com o bullying e outras forma de violência escolar. Ela destacou, entretanto, que não existe um método definido para lidar com essas situações. “Se existisse uma receita pronta, todas as escolas utilizariam. Cada criança age de um jeito”, ponderou
A melhor maneira de agir, na opinião da especialista, é analisar os casos individualmente e tentar descobrir o motivo da agressão, além de conscientizar os envolvidos no processo do ensino “Nós temos que atuar muito mais de uma forma sistêmica, trabalhar com as crianças, com a família, com a escola e com as instituições e atores sociais”.
Reportagem de Daniel Mello
Fonte: http://www.uol.com.br/


Para acessar a pesquisa que foi realizada na íntegra, é só ir até a sessão "LEITURAS INTERESSANTES", desse blog, e clicar no link "Bullying Escolar no Brasil".

segunda-feira, 12 de abril de 2010

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: RESPONSABILIDADE DE TODOS

Diariamente vivencio situações onde educadores, de uma forma geral, apresentam-se "impotentes" diante das dificuldades de aprendizagem trazidas por seus alunos até o contexto da sala de aula. Muitos até tentam criar estratégias para minimizá-las ou até mesmo desaparecer com elas, quando o caso não é tão complexo, mas a grande maioria prefere procurar um "culpado" para atribui-lhe tamanha responsabilidade, eximindo-se da culpa diante da situação apresentada.
Diante de tal situação, tento, na posição que ocupo, enquanto coordenadora pedagógica, buscar respostas para tantas perguntas que me são feitas a toda hora, mas acredito, e agora mais do que nunca tenho certeza disso, que não uma existe uma única resposta , nem somente um responsável pela resolução de tal problema. As dificuldades de aprendizagem fazem parte da rotina da escola e como tal são de responsabilidade de todos aqueles que participam do processo: escola, família e especialistas.
Não falo isso somente "da boca pra fora", como se costuma dizer popularmente quando não se tem argumentos para colocar frente a um fato conclusivo, mas principalmente, porque tenho buscado intensamente por algumas respostas relacionadas a tal problema e minhas leituras, estudos e pesquisas têm me direcionado a essa conclusão.
São muitos os especialistas e estudos da área educacional que abordam o fato. Se for listar aqui passarei dias. Mas exageros à parte, gostei muito das reflexões feitas pelo fonoaudiólogo Jaime Zorzi, que para mim era pouco conhecido, mas cujas contribuições são bastante relevantes para a área educacional.
Além de obras específicas que retratam a temática das dificuldades de aprendizagem, o especialista, tem dado outras contribuições, principalmente em suas palestras e entrevistas realizadas e concedidas Brasil a fora. E é justamente uma dessas entrevistas que quero compartilhá-la com vocês.
Espero que possa ser útil para muitas reflexões, e que estas possam fazer com que cheguemos à algumas respostas, hoje tão "obscuras" e "nubladas" para a grande maioria dos educadores brasileiros.
























































OBS.: PARA AMPLIAR A FONTE DO TEXTO, É SÓ CLICAR SOBRE A PÁGINA DESEJADA.

domingo, 4 de abril de 2010

CONFERÊNCIA DE EDUCAÇÃO DEFINE REDUÇÃO DE ALUNOS NA SALA DE AULA DO ENSINO FUNDAMENTAL


Representantes da sociedade civil de todo o país decidiram, nesta quarta-feira (31), na Conae (Conferência Nacional de Educação), que o número de alunos por sala de aula deve diminuir. Na ocasião, aprovou-se uma proposta para que todas as turmas tenham cinco estudantes a menos do que o indicado atualmente.
Pelo texto da Conae, as turmas da pré-escola devem diminuir de 20 para 15 alunos; as do ensino fundamental, de 25 para 20; as de ensino médio, de 30 para 25; e, finalmente, as de ensino superior, de 35, para 30.
É importante lembrar que estes números são indicativos, mas há muitas escolas que não os colocam em prática.

Outra reivindicação dos representantes é que a formação de professores seja feita presencialmente – diminuindo a oferta de cursos a distância para graduações de docentes.

Financiamento
As plenárias da Conae decidiram pedir que o valor aplicado em educação seja de 7% do PIB (Produto Interno Bruto), em 2011, chegando a 10% do PIB em 2014. A criação do CAQ (Custo Aluno-Qualidade), que estabelece o valor mínimo a ser investido anualmente por aluno, também foi aprovada.
Parte deste financiamento deve ser investida nos salários dos professores. A categoria conseguiu aprovar que a correção do piso do magistério seja feita pelos índices do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

O que já foi aprovado
Segundo o secretário executivo adjunto do MEC (Ministério da Educação), Francisco das Chagas, que coordena a Conae, 90% dos textos em debate já foram aprovados, com acréscimo ou redução. Mas todos os pontos podem ser debatidos novamente, caso representantes considerem necessário.
Nesta quinta passada (1º), último dia da Conae, a polêmica ficou em torno da votação sobre as cotas. Já foi aprovada a reserva de 50% das vagas das universidades para estudantes egressos da rede pública.

A Conae pretende formular as diretrizes para a política educacional do país. O texto final serve como um indicador dos anseios da sociedade no setor da educação. Ele não terá poder de norma, mas deve funcionar como instrumento de pressão política.
Antes da conferência foram realizadas reuniões em estados e municípios com mais de 400.000 participantes ao todo, diz Chagas. O custo final estimado nos dois anos é de R$ 25 milhões a R$ 28 milhões.