quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

NÃO DÁ PARA ACREDITAR: 79 MIL CRIANÇAS DE 6 ANOS SÃO REPROVADAS

MEC quer vetar a reprovação de crianças nessa faixa etária, pois teme prejudicar aluno tão jovem por toda a vida escolarAté 2005, antigo primário começava aos 7 anos; prefeituras alegam que crianças chegam à escola sem passar por creche ou pré

Crianças de seis anos têm sido reprovadas no país, depois que essa faixa etária passou a integrar o ensino fundamental.Em 2008, 79,3 mil alunos do novo primeiro ano da educação fundamental não passaram de ano, conforme dados inéditos do MEC, obtidos pela Folha. O número representa 3,5% das matrículas dessa série.Até 2005, o antigo primário começava aos sete anos. Uma lei daquele ano antecipou o início para os seis anos, para garantir mais anos de estudo para alunos pobres, que não tinham acesso à pré-escola. A transição terminou agora em 2010.O Ministério da Educação quer vetar a reprovação de crianças de seis anos, pois entende que o novo primeiro ano é apenas um início de alfabetização. O temor, diz o MEC, é prejudicar uma criança tão jovem por toda a vida escolar (pesquisas mostram que reprovação pode acarretar notas baixas e abandono).As prefeituras, que têm autonomia, apontam diferentes explicações para os índices. Em Tremedal (BA), por exemplo, a alegação para a reprovação de 50,3% foi o fato de parte das crianças chegarem ao fundamental sem nunca terem passado por creche ou pré-escola."Percebemos despreparo dos professores para trabalhar essa série inicial e, por isso, investiremos em capacitação", afirma Débora Ferraz, secretária interina da Educação da cidade.Outras explicações para os indicadores foram excesso de faltas de alunos e possível erro ao preencher o formulário."Alguns gestores não entenderam que a alfabetização não precisa estar completa no primeiro ano. É difícil num país continental que todos compreendam da mesma maneira", disse o presidente da Undime (que representa os secretários municipais da Educação), Carlos Eduardo Sanches.Situação "grave"Para evitar que o problema se agrave, o MEC e o Conselho Nacional de Educação divulgarão novas diretrizes para o ensino fundamental, reforçando a indicação para que não haja reprovação aos seis anos."Antecipar o fracasso escolar é grave", diz a secretária de Educação Básica do ministério, Maria Pilar Lacerda. O conselho, órgão normativo e consultivo do MEC, recebeu informações de que algumas redes transferiram a antiga primeira série, destinada a alunos de sete anos, para o novo primeiro ano."Talvez seja falta de preparo dos gestores, mas é um crime colocar crianças de seis anos sentadas enfileiradas, com matérias", diz o presidente da Câmara de Educação Básica do conselho, Cesar Callegari.Nas séries destinadas às crianças de sete e oito anos de idade, as taxas de reprovação em 2008 foram, respectivamente, de 12,6% e 13,5%. O país tem uma reprovação semelhante à de países africanos.O problema é mais grave na rede municipal, que concentra a maior parte das matrículas, onde a taxa de reprovação é mais de duas vezes maior do que na particular (dado de 2007, o mais recente detalhado por tipo de sistema).

FONTE: www1.folha.uol.com.br

domingo, 21 de fevereiro de 2010

LEITURA EXIGE MOTIVAÇÃO, OBJETIVOS CLAROS E ESTRATÉGIAS


A importância da leitura é das temáticas mais discutidas no âmbito educacional, principalmente porque essa temática - a leitura, além de ser uma das mais importantes habilidades que precisa ser desenvolvida no aluno, passa também a ser um dos maiores entraves vivenciados pela grande maioria dos nossos estudantes.
Uma significativa parcela de docentes aponta, em suas rodas de discussão, que é essencial desenvolver atividades que despertem o interesse do aluno pela leitura, mas concretamente falando, muito pouco da ação desses mesmos docentes em sala de aula, consegue refletir essa necessidade na prática.
Abaixo vocês vão acompanhar uma entrevista realizada com a professora espanhola Isabel Solé, onde a mesma, entre outras questões, conclui que o exemplo do professor enquanto leitor, faz toda a diferença no incetivo à leitura junto aos alunos. Confiram:

Pesquisas sobre como o leitor interage com o texto circulam no ambiente das universidades desde a década de 1970. Coube à espanhola Isabel Solé, professora do departamento de Psicologia Evolutiva e da Educação na Universidade de Barcelona, na Espanha, trazer a discussão para as salas de aula. Publicado originalmente em 1992, seu livro Estratégias de Leitura esmiúça o papel do professor na formação de leitores competentes (leia a resenha do livro). "O ensino das estratégias de leitura ajuda o estudante a aplicar seu conhecimento prévio, a realizar inferências para interpretar o texto e a identificar e esclarecer o que não entende", explica. De sua casa, em Barcelona, Isabel apontou caminhos para a atuação prática.

Qual a maior contribuição do livro Estratégias de Leitura para a aprendizagem em sala de aula?
ISABEL SOLÉ - Eu diria que o maior mérito foi colocar ao alcance dos professores de Educação Básica uma forma de pensar e entender a leitura que já era bastante conhecida no âmbito acadêmico, mas ainda não tinha muito impacto na prática educativa. Afinal, são os docentes que de fato contribuem para a melhoria da aprendizagem da leitura.

O que a escola ensina sobre a leitura e o que deveria ensinar?
ISABEL SOLÉ - Basicamente, a escola ensina a ler e não propõe tarefas para que os alunos pratiquem essa competência. Ainda não se acredita completamente na ideia de que isso deve ser feito não apenas no início da escolarização, mas num processo contínuo, para que eles deem conta dos textos imprescindíveis para realizar as novas exigências que vão surgindo ao longo do tempo.

Considera-se que a leitura é uma habilidade que, uma vez adquirida pelos alunos, pode ser aplicada sem problemas a múltiplos textos. Muitas pesquisas, porém, mostram que isso não é verdade. Hoje em dia, o que significa ler com competência?
ISABEL SOLÉ - Quando o objetivo é aprender, isso significa, em primeiro lugar, ler para poder se guiar num mundo em que há tanta informação que às vezes não sabemos nem por onde começar. Em segundo lugar, significa não ficar apenas no que dizem os textos, mas incorporar o que eles trazem para transformar nosso próprio conhecimento. Pode-se ler de forma superficial, mas também pode-se interrogar o texto, deixar que ele proponha novas dúvidas, questione ideias prévias e nos leve a pensar de outro modo.

Ensinar a ler é uma tarefa de todas as disciplinas?
ISABEL SOLÉ - Sim. Não apenas para aprender, mas também para pensar. A leitura não é só um meio de adquirir informação: ela também nos torna mais críticos e capazes de considerar diferentes perspectivas. Isso necessita de uma intervenção específica. Se eu, leitora experiente, leio um texto filosófico, provavelmente terei dificuldades, pois não estou familiarizada com esse material. É preciso planejar estratégias específicas para ensinar os alunos a lidar com as tarefas de leitura dentro de cada disciplina.

Como os professores das diferentes áreas devem se articular entre si?
ISABEL SOLÉ - O que aprendi em minhas conversas com professores é que os da área de línguas têm um papel importantíssimo para ajudar os alunos a melhorar a leitura e a composição de textos no campo de ação da própria língua e da literatura. Os responsáveis pelas demais disciplinas, por sua vez, podem lidar com textos mais específicos. Aliás, como assinalam muitos especialistas, quem leciona também deve aprender progressivamente a compreender e produzir os textos próprios de suas áreas. Em seguida, uma assembleia de professores ou a coordenação podem planejar que, digamos, o titular de História ensine a resumir textos como relatos, que o de Ciências ajude a produzir relatórios e a entender textos instrucionais e assim por diante. Outra proposta é, sempre que possível, trabalhar com enfoques mais globalizantes, com toda a equipe reforçando procedimentos de leitura e produção escrita.
Como é possível motivar os alunos para a leitura?
ISABEL SOLÉ - Uma boa forma de um docente fomentar a leitura é mostrar o gosto por ela – quer dizer, comentar sobre os livros preferidos, recomendar títulos, levar um exemplar para si mesmo quando as crianças forem à biblioteca. Os estudantes devem encontrar bons modelos de leitor na escola, especialmente aqueles que não possuem isso em casa.

E como despertar o interesse para a leitura para aprender?
ISABEL SOLÉ - O fundamental é que os alunos compreendam que, se estão envolvidos em um projeto de construção de conhecimento ou de busca e elaboração de informações, é para cobrir uma necessidade de saber. Muitas vezes, o problema é que que eles não sabem bem o que estão fazendo. Nesse caso, é natural que o grau de participação seja o mínimo necessário para cumprir a tarefa. Quando os objetivos de leitura são claros, é mais fácil estar disposto a consultar textos ou a procurar algo numa enciclopédia.

De que forma as estratégias realizadas antes, durante e depois da leitura podem auxiliar a compreensão?
ISABEL SOLÉ - Elas ajudam o estudante a utilizar o conhecimento prévio, a realizar inferências para interpretar o texto, a identificar as coisas que não entende e esclarecê-las para que possa retrabalhar a informação encontrada por meio de sublinhados e anotações ou num pequeno resumo, por exemplo.

Se pudesse modificar algum ponto em seu livro, qual seria?
ISABEL SOLÉ - Eu insistiria muito mais na conexão profunda que existe entre leitura e escrita quando o objetivo é aprender. Essa tarefa híbrida entre a leitura e a elaboração do que se lê por meio de resumos, sínteses e notas tem um impacto muito importante na aprendizagem. Algo que tenho visto nas investigações mais recentes do grupo de pesquisa de que faço parte é que muitos alunos, quando têm de fazer um resumo depois de ler, cumprem a tarefa sem voltar ao texto original para ver se o que se destacou é fiel ao que se leu. Creio que é preciso romper com a sequência "primeiro ler depois escrever". Em vez disso, é melhor pensar que se faz uma leitura já com o propósito de escrever, num processo que envolve a revisão do escrito.
Quer saber mais?
BIBLIOGRAFIA Estratégias de Leitura, Isabel Solé, 194 págs.,Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 52 reais

FONTE: A entrevista foi retirada do site: http://www.revistanovaescola.com.br/

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

REGGIO EMÍLIA: ABORDAGEM PEDAGÓGICA INDISPENSÁVEL NA EDUCAÇÃO INTEGRAL DE CRIANÇAS


Após o término da Segunda Guerra, as mulheres de Villa Cella, cidade no nordeste da Itália, próxima a Reggio Emilia, decidiram erguer e administrar uma escola para os filhos, pois todas as da região haviam sido devastadas. Essa escola ficou universalmente conhecida pela abordagem pedagógica para a educação infantil. O pedagogo e educador de Régio-Itália, Loris Malaguzzi , foi o criador da ideia Reggio Emília, sendo até hoje seu incentivador primordial. Foi este educador quem constituiu um princípio de ensino em que não existem as disciplinas formais e que todas as atividades pedagógicas se desenvolvem por meio de projetos. Estes projetos, no entanto, não são antecipadamente planejados pelos professores, mas, surgem através das ideias dos próprios alunos, e são desenvolvidos por meio de diferentes linguagens. O ensinamento que sustenta todo esse princípio, é a Pedagogia da Escuta, que foi sistematizada pelo educador italiano. Esta abordagem de Reggio Emilia se vincula a tudo o que a linguagem visual pode apresentar. A capacidade criadora e a característica dos trabalhos desenvolvidos fizeram com que esta atitude típica de educar fosse avaliada, há dez anos, como a melhor do mundo pela revista norte-americana Newsweek. Este exemplo, serviu de fonte de apoio e inspiração para a Educação Infantil de países de contextos bem diferentes como Suécia e Senegal, Dinamarca e Nova Zelândia, Espanha e Estados Unidos,etc As lições de Loris Malaguzzi tem três grandes princípios:
1º- as crianças podem compartilhar seus conhecimentos e saberes, sua criatividade e imaginação por meio de múltiplas linguagens, sem enfatizar nenhuma. As múltiplas linguagens se evidenciam através do desenho, do canto, da dança , da pintura, da interpretação, enfim, divulgadas por distintas passagens que se somam na execução do projeto e nos saberes que são construídos. Anotar, fotografar, gravar e filmar são partes principais da rotina;
2º- O mundo de conhecimentos não está dividido em assuntos escolares, mas é um grupo único, onde certas áreas são sugeridas por meio de projetos com uma matéria de trabalho;
3º- A interação entre o adulto e a criança deve ser uma parceria, na qual interesses e envolvimentos recíprocos devem permanecer e interagir para que um objetivo comum seja alcançado: o saber. As escolas em Reggio Emilia tem na arte a ferramenta para o pensamento. São escolas feitas de espaços, onde as mãos e mentes das crianças se entrelaçam em uma alegria criativa e libertadora, através de uma aprendizagem real. Assim é possível constatar como a criança argumenta e se expressa, o que produz com suas mãos , como brinca, como debate ideias, como sua investigação funciona. O plano é inserido como um desafio e envolve conhecimento de exploração e discussão em grupo. Após esta primeira fase, há representação e expressão, através do uso de meios peculiares: desenho, movimento, jogos, construção com materiais que abrangem a Arte e a estética , que são partes essenciais da maneira como a criança compreende e concebe o mundo. Há um respeito muito grande pelas ideias das crianças nas suas variadas demonstrações, identificando esse trabalho na perspectiva de um pesquisador. As palavras comuns entre os professores de Reggio Emilia, são “cívico” e “civil”. Dizem e acreditam que a criança tem direito à civilidade, à civilização e à vida cívica. Afirmam que uma criança habilidosa produz transformação nos sistemas em que está vinculada e torna-se uma elaboradora de cultura, valores e direitos. Os educadores promovem os processos de aprendizagem cooperativos e o trabalho em conjunto. Na comunidade de aprendizes, todos os partícipes são ativos: ninguém possui responsabilidade total. A finalidade é interdependência em lugar de independência, e o pensar “com os outros” em lugar de “por si mesmo”, isso envolve cidadania e significa basicamente compartilhar e tornar-se protagonista na sociedade. A sociedade cívica abrange o significado de identidade das pessoas, ampliando o conceito do “eu” em “nós”.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

UMA LEITURA SOCIAL DA PROFISSÃO DOCENTE


O ato de ensinar não é uma das tarefas mais fáceis que existe na vida, principalmente por si tratar de uma ação onde a dialética permeia, ou pelo menos deveria permear, todo o processo, porque numa verdadeira ação educativa que se preze, educando e educador dialogam a todo momento, e é esse diálogo que permite o crescimento de ambos.
Infelizmente, há exceções que fogem à regra, e quando se trata de educação, meu Deus! São alarmantes os números de exceções.
Essa semana me deparei com uma dessas tantas exceções que existem por aí. Na verdade foi até uma supresa, pois para mim quem defende um discurso enquanto educador, educador é em sua prática, mas caí no "abismo" das exceções, e constatei que também há discursos que não condizem com a prática.
A situação em si me deixou um tanto pensativa, pois por mais que haja brecha para as exceções não consigo visualizar a defesa de um discurso em vão, daquilo que não é exercido na prática. Pelo menos eu não consigo fazer isso, e ainda é complexo demais para a minha cabeça aceitar que outras pessoas o façam sem o menor remorço, sem a menor preocupação.
Toda essa situação me permitiu fazer uma reflexão bastante intensa sobre a profissão docente, onde pude constatar e relembrar um pouco as palavras de Rubens Alves sobre as "sutis" diferenças traçadas, em seu livro "Conversas com gosta de ensinar", entre o que é ser educador e o que é ser professor, ou como ele mesmo diz, entre o que é ser um jequitibá e o que é ser um eucalipto: "O educador não deve ser considerado um simples professor, na acepção daquele que apenas ensina uma ciência, técnica ou disciplina. Educadores e professores possuem função e natureza distintas. Eles não são forjados no mesmo forno. E se de fato não são de mesma natureza, de onde vem o educador? Qual a sua procedência? Tem ele o direito de existir? Como pode ser constituído? Não se trata de formar o educador, como se ele não existisse. Como se houvesse escolas capazes de gerá-lo ou programas que pudessem trazê-lo à luz. Eucaliptos não se transformarão em jequitibás, a menos que em cada eucalipto haja um jequitibá adormecido: os eucaliptos são árvores majestosas, bonitas, porém absolutamente idênticas umas às outras, que podem ser substituídas com rapidez sem problemas. Ficam todas enfileiradas em permanente posição de sentido, preparadas para o corte e o lucro. Educadores são como jequitibás. Os eucaliptos são símbolos dos professores, que vivem no mundo da organização, das instituições e das finanças. Os eucaliptos crescem depressa para substituírem as velhas árvores seculares que ninguém viu nascer e nem plantou. Aquelas árvores misteriosas que produzem sombras não penetradas, desconhecidas, onde reside o silêncio nos lugares não visitados. Tais árvores possuem até personalidade como dizem os antigos. Os educadores são como árvores velhas, como jequitibás, possuem um nome, uma face, uma história. Educador não pode ser confundido com professor. Da mesma forma que jequitibás e eucaliptos não são as mesmas árvores, não fornecem a mesma madeira".
E o grande mestre ainda reforça, o que na minha opinião é a essência da missão de ser educador: " Educadores habitam um mundo onde o que vale é a relação que os liga ao aluno, sendo que cada aluno é uma entidade sui generis, portador de um nome, também de uma estória, sofrendo tristezas e alimentando esperanças. E a educação é algo pra acontecer nesse espaço invisível e denso, que se estabelece a dois. Espaço artesanal".

domingo, 7 de fevereiro de 2010

FINALMENTE, UM NOVO RECOMEÇO


Depois de doze dias distante desse espaço, não haveria outra forma para iniciar esse registro a não ser pedindo desculpas a tod@s aqueles que o procuram em busca de novidades.
Sei perfeitamente sobre a importância que ele tem para muitas pessoas, mas o motivo de tamanha ausência foi bastante positivo, principalmente para mim enquanto educadora, e com certeza também será para vocês, pois tenho uma porção de coisas boas para compartilhar com tod@s.
Nos últimos dias, conforme adiantei anteriormente, tenho vivido uma experiência muito positiva enquanto educadora. Na verdade, desde o início desse ano eu aguardava ansiosamente por essa oportunidade: liderar um espaço onde, com outros educadores, pudéssemos construir estatégias para melhororar a qualidade da educação.
Inicialmente, tive certa preocupação com a função que iria exercer, afinal de contas, está na liderença de qualquer que seja o grupo já é um grande desafio por si só, e quando esse grupo tem como principal objetivo contribuir por meio da educação para melhorar a vida de muitas crianças, esse desafio aumenta muito mais. Não era medo, nem insegurança, quem me conhece sabe perfeitamente que isso nem combina comigo, era o fato de não ter certeza como o grupo reagiria diante das minhas "provocações", afinal de contas, todo processo de mudança demanda resistência, e lutar contra isso depois de tantas lutas realizadas anteriormente, para mim, particularmente, não seria mesmo a melhor opção, nem "o caminho" que eu gostaria de seguir.
Independente disso iniciei o processo. Pude perceber de imediato que o grupo também tem suas expectativas em relação a mim enquanto líder, e isso tem sido um grande motivador para que eu seja cada dia melhor nessa função que ocupo, garantindo, sempre que se faz necessário, a participação ativa de todos os componentes, porque só dessa forma o processo torna-se, de fato, coletivo, pluralista. E essa é a educação que acredito, aquela em que eu não somente ensino, mas também aprendo, e muito!
E falando em aprender, uma coisa que tem me deixado muito satisfeita e feliz é como o grupo tem crescido em termos de conhecimento, e como essa vontade, em continuar aprendendo ,tem se mostrado aguçada.
Os resultados colhidos durante os últimos dias tem sido gratificantes. Educadores que antes nem falavam, hoje registram, apresentam e defendem as ideias que acreditam. E isso para mim é como um prêmio, pois sei que fui uma grande incentivadora desse processo todo.
O começo, ou melhor, o recomeço, não tem sido e nem nunca será fácil, acho até que é por isso que me sinto tão instigada. O que é difícil, em muitos casos, acaba me fazendo correr cada vez mais atrás, é desafiador para qualquer profissional e muito importante para o crescimento de qualquer pessoa, enquanto ser hunamo. Experiência própria.
Aparentemente tudo parece perfeito, é verdade, mas se eu for comparar com situações anteriores vivenciadas junto a esse mesmo grupo, ou melhor, com grande parte dele, é como se realmente a perfeição existisse agora.
Há mudanças que ainda precisam ser feitas. "Educadores" que precisam se mostrar mais parte do processo, que precisam acreditar que podem e que são capazes de melhorar a ação na qual estão inseridos. Um imenso caminho surge nesse novo recomeçar, mas somente os que acreditam, os que estão disputos a lutar e encarar os desafios e obstáculos que podem surgir durante a longa caminhada que se tem pela frente, é que realmente manterão viva a esperança que existe na mente e no coração de tantas pessoas que precisam disso para sobreviver.
O momento que vivencio agora pode ser resumido nas palavras de Elisa Lucinda,tão bem interpretadas pela grande cantora Ana Carolina:

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"SEI QUE NÃO DÁ PARA MUDAR O COMEÇO, MAS SE A GENTE QUISER, VAI DAR PARA MUDAR O FINAL"