quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O QUE É O PPP?


O PPP define a identidade da escola e indica caminhos para ensinar com qualidade. Saiba como elaborar esse documento

Toda escola tem objetivos que deseja alcançar, metas a cumprir e sonhos a realizar. O conjunto dessas aspirações, bem como os meios para concretizá-las, é o que dá forma e vida ao chamado projeto político-pedagógico - o famoso PPP. Se você prestar atenção, as próprias palavras que compõem o nome do documento dizem muito sobre ele:

- É projeto porque reúne propostas de ação concreta a executar durante determinado período de tempo.

- É político por considerar a escola como um espaço de formação de cidadãos conscientes, responsáveis e críticos, que atuarão individual e coletivamente na sociedade, modificando os rumos que ela vai seguir.

- É pedagógico porque define e organiza as atividades e os projetos educativos necessários ao processo de ensino e aprendizagem.

Ao juntar as três dimensões, o PPP ganha a força de um guia - aquele que indica a direção a seguir não apenas para gestores e professores mas também funcionários, alunos e famílias. Ele precisa ser completo o suficiente para não deixar dúvidas sobre essa rota e flexível o bastante para se adaptar às necessidades de aprendizagem dos alunos. Por isso, dizem os especialistas, a sua elaboração precisa contemplar os seguintes tópicos:

- Missão

- Clientela

- Dados sobre a aprendizagem

- Relação com as famílias

- Recursos

- Diretrizes pedagógicas

- Plano de ação

Por ter tantas informações relevantes, o PPP se configura numa ferramenta de planejamento e avaliação que você e todos os membros das equipes gestora e pedagógica devem consultar a cada tomada de decisão. Portanto, se o projeto de sua escola está engavetado, desatualizado ou inacabado, é hora de mobilizar esforços para resgatá-lo e repensá-lo (leia as dicas práticas). "O PPP se torna um documento vivo e eficiente na medida em que serve de parâmetro para discutir referências, experiências e ações de curto, médio e longo prazos", diz Paulo Roberto Padilha, diretor do Instituto Paulo Freire, em São Paulo.


Compartilhar a elaboração é essencial para uma gestão democrática

Infelizmente, muitos gestores veem o PPP como uma mera formalidade a ser cumprida por exigência legal - no caso, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996. Essa é uma das razões pelas quais ainda há quem prepare o documento às pressas, sem fazer as pesquisas essenciais para retratar as reais necessidades da escola, ou simplesmente copie um modelo pronto (leia os erros mais comuns).

Na última Conferência Nacional de Educação (Conae), realizada no primeiro semestre deste ano, o projeto políticopedagógico foi um dos temas em destaque. Os debatedores lembraram e reforçaram a ideia de que sua existência é um dos pilares mais fortes na construção de uma gestão democrática. "Por meio dele, o gestor reconhece e concretiza a participação de todos na definição de metas e na implementação de ações. Além disso, a equipe assume a responsabilidade de cumprir os combinados e estar aberta a cobranças", aponta Maria Márcia Sigrist Malavasi, coordenadora do curso de Pedagogia e pesquisadora do Laboratório de Observação e Estudos Descritivos da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas (Loed/Unicamp).

Envolver a comunidade nesse trabalho e compartilhar a responsabilidade de definir os rumos da escola é um desafio e tanto. Mas o esforço compensa: com um PPP bem estruturado, a escola ganha uma identidade clara, e a equipe, segurança para tomar decisões. "Mesmo que no começo do processo de discussão poucos participem com opiniões e sugestões, o gestor não deve desanimar. Os primeiros participantes podem agir como multiplicadores e, assim, conquistar mais colaboradores para as próximas revisões do PPP", afirma Celso dos Santos Vasconcellos, educador e responsável pelo Libertad - Centro de Pesquisa, Formação e Assessoria Pedagógica, em São Paulo.


Os erros mais comuns

Alguns descuidos no processo de elaboração do projeto político-pedagógico podem prejudicar sua eficácia e devem ser evitados:

- Comprar modelos prontos ou encomendar o PPP a consultores externos. "Se a própria comunidade escolar não participa da preparação do documento, não cria a ideia de pertencimento", diz Paulo Padilha, do Instituto Paulo Freire.

- Com o passar dos anos, revisitar o arquivo somente para enviá-lo à Secretaria de Educação sem analisar com profundidade as mudanças pelas quais a escola passou e as novas necessidades dos alunos.

- Deixar o PPP guardado em gavetas e em arquivos de computador. Ele deve ser acessível a todos.

- Ignorar os conflitos de ideias que surgem durante os debates. Eles devem ser considerados, e as decisões, votadas democraticamente.

- Confundir o PPP com relatórios de projetos institucionais - portfólios devem constar no documento, mas são apenas uma parte dele.


Mais sobre PPP

Como fazer o PPP
http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao/planejamento/7-elementos-essenciais-ao-ppp-610996.shtml

Bons exemplos de PPPs
http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao/planejamento/planejamento-gestao-bons-exemplos-ppps-reais-611206.shtml

O PPP e a gestão financeira
http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/ppp-gestao-financeira-caminham-juntos-551882.shtml

8 questões essenciais sobre PPP
http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/questoes-essenciais-projeto-pedagogico-427805.shtml

Entrevista Celso dos Santos Vasconcellos
http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao/planejamento/planejar-objetivos-427809.shtml


Quer saber mais?

CONTATOS

EM Bernardo Ferreira Guimarães, tel. (31) 3854-3037

EMEF Conde Pereira Carneiro, tel. (11) 5631-9575

EMEF Ezequiel Fraga Rocha, tel. (27) 3296-1075

EMEF Mario Quintana, tel. (51) 3250-5021

EMEI Francisca Pinheiro Teixeira, tel. (22) 2555-4982

EM Parque Piauí, (86) 3215-7962

UE Doutor José Ribamar de Matos


BIBLIOGRAFIA

Planejamento Dialógico: Como Construir o Projeto Político-Pedagógico da Escola, Paulo Roberto Padilha,

160 págs., Ed. Cortez, tel. (11) 3611-9616, 28 reais

Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico, Celso dos Santos Vasconcellos, 208 pág., Ed. Libertad, tel. (11) 5062-8515, 40 reais

Projeto Político-Pedagógico: Construção e Implementação na Escola, Cássia Ravena Mulin de Assis Medel, 128 págs., Ed. Autores Associados, tel. (19) 3249-2800, 29 reais


Fonte: Revista Nova Escola Gestão Escolar, Edição nº 11, Dez2010/Jan 2011

domingo, 21 de novembro de 2010

SEGUNDO O IPEA, SOMENTE EM 2015 É QUE O BRASIL PODERÁ CUMPRIR A ESCOLARIDADE EXIGIDA PELA CONSTITUIÇÃO



Se mantido o ritmo dos últimos 17 anos, o país só cumprirá a escolaridade de oito anos, exigida pela Constituição, em 2015. Essa é uma das conclusões de estudo divulgado, nesta quinta (18), pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) com base nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Em 2009, a média de anos de estudos para a população de 15 anos ou mais era de 7,5 anos. Em 1992, o índice era 5,2. Foram necessários 17 anos para ampliar em 2,3 anos a média de anos de estudo da população. "Considerando-se essa taxa anual de crescimento, faltam, ainda, cerca de cinco anos para se atingir, em média, a escolaridade originalmente prevista na Constituição Federal, (ensino fundamental ou 8 anos de estudo)", diz o Comunicado nº 66 do Ipea.

Uma das explicações para o país estar nessa situação se deve "à elevada proporção de analfabetos entre adultos e idosos e à baixa escolarização desses cortes". O analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais é um dos grandes problemas da educação. Segundo o Ipea, a taxa brasileira é alta, mesmo quando comparada com países da América do Sul, como Equador, Chile e Argentina. A taxa de analfabetismo, ou seja, a proporção de analfabetos na população, tem caído constantemente. No entanto, o número total de analfabetos tem se mantido em torno de 14 milhões de pessoas. É considerado analfabeto o indivíduo que não consegue ler e escrever um bilhete simples.
Desigualdades

A média atual de anos de estudo, que em termos absolutos está abaixo do que prevê a legislação, ganha outros contornos quando se leva em consideração caracaterísticas como a distribuição geográfica, a renda e o quesito cor/raça.

Na categoria localização, a população urbana/metropolitana tem, na média, 3,9 anos de estudo a mais que a população rural, atingindo 8,7 anos de estudo. Quem mora na área rural tem, em média, 4,8 anos de estudo. Quando se trata do quesito cor/raça, observa-se que os negros têm menos 1,7 ano de estudo, em média, que os brancos. Os brancos estão com média de 8,4 anos enquanto os negros possuem 6,7 anos de escolaridade. Em 1992, a diferença era maior -- de 2,1 anos.

Chama a atenção a diferença entre as faixas de renda. "Independentemente da categoria selecionada, os mais ricos sempre estão em melhor situação do que os mais pobres", diz o estudo. Há uma diferença de 5,2 anos de escolaridade entre os mais ricos e os mais pobres.

Fonte: Uol Educação

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

SEMINÁRIO DISCUTE A EDUCAÇÃO AFRO BRASILEIRA EM ALAGOAS


No próximo dia 24 de novembro, o Fórum Alagoano em Defesa da Educação Infantil e o Fórum Alagoano de Diversidade Étnico Racial estarão promovendo o Seminàrio "Relações Raciais e Políticas Educacionais: Repensando a educação afro brasileira em Alagoas".

O evento será realizado no auditório da Secretaria Estadual de Educação de Alagoas e contará com a presença de professores da Universidade Federal de Alagoas e de membros dos fóruns mencionados anteriormente.

O evento é gratuito e aberto a toda sociedade alagoana.

Abaixo segue a programação:


SEMINÁRIO RELAÇÕES RACIAIS E POLITICAS EDUCACIONAIS: REPENSANDO A EDUCAÇÃO AFRO BRASILEIRA EM ALAGOAS.


8h30 - Abertura: MALUNGOS DO ILÊ

9h - Palestra: A DISCRIMINAÇÃO RACIAL NOS LIVROS INFANTIS (Prof. NANCI REBOUÇAS/ UFAL)

Objetivo: Discutir os livros infantis numa perspectiva de desconstrução de estereótipos e preconceitos.

11h - Debate

INTERVALO PARA O ALMOÇO

13h30 - Palestra: A CONSTRUÇÃO POLÍTICO PEDAGÓGICA DO 20 DE NOVEMBRO (Prof. ZEZITO DE ARAUJO- UFAL)

Objetivo: Entender o processo histórico do 20 de novembro pelo movimento negro brasileiro e seu desdobramento em políticas publicas na Serra da Barriga, nos sistemas de ensino.

15h - Debate

16h - Encerramento

FORMAÇÃO EM EAD


Preocupada com a necessidade de difundir o conhecimento acerca da *EAD, a Fundação Joaquim Nabuco está com inscrições abertas para a 3ª turma do Curso "Explorando o universo da educação a distância".

Aqueles que participarem desta formação terão  a oportunidade de explorarem o universo da educação a distância através de um curso predominantemente on-line e gratuito, onde serão abordados os principais conceitos relacionados à essa temática.

As vagas são limitadas, portanto, acesse o link do curso na sessão "DICAS" (barra lateral direita do blog) e realize agora mesmo a sua inscrição. Boa sorte!

*EAD - Educação a Distância

domingo, 14 de novembro de 2010

A IMPORTÂNCIA DA PARCERIA COM A COMUNIDADE



Em nosso país são inúmeras as ações de cunho não governamental que surgem para melhorar os problemas educacionais existentes, principalmente aqueles que emergem pela ausência ou simplesmente pela ineficácia das políticas públicas na área em questão.

Muitas dessas ações acabam conquistando resultados palpáveis e bastante animadores para aqueles que partipam de tal processo, e uma das peças-chave para a conquista disso é o trabalho conjunto com a comunidade local onde tais ações são desenvolvidas.

Essa união entre comunidade e entidade(s) interessada(s) permite não somente intensificar a ação que se pretende desenvolver em uma determinada região, mas também transforma o próprio processo  em algo libertador, onde a comunidade atua como protagonista na luta pela melhoria dos problemas locais, bem como na conquista das soluções para tais.

Infelizmente, mesmo sabendo da importância de questões como essas, ainda há as entidades que teimam em fazer o oposto. Essas, chegam a passar anos investindo em estratégias mirabolantes, planejando milhões de ações, promovendo as mais diversas atividades, mas acabam pecando no essencial: na articulação com o povo. A vontade de melhorar o problema, as vezes, é tamanha que  acabam esquecendo que num processo como esse não se pode, a todo momento momento "fazer para", mas se "fazer com". As vezes, as intenções podem ser as melhores do mundo, mas de nada vão adiantar se não houver um trabalho de mobilização social, fazendo com que as pessoas da comunidade em questão se articulem, participando do processo do começo até o fim.

É preciso ter em mente que isso não é somente uma sugestão que dá certo, mas o caminho que vai garantir o empoderamento das pessoas e, como consequência disso, a sustentabilidade da ação. Afinal de contas, um bom projeto social, precisa ter começo, meio e fim e a sua continuidade não cabe aos técnicos, mas ao povo, que deve ser parte essencial da ação, pois é o próprio povo que vai monitorar, modificar, adaptar e até criar novos projetos, pois os problemas de uma comunidade, sejam eles  na área educativa ou em qualquer outra instância, é algo bastante flexivo, que vai depender ,principalmente, da necessidade que as pessoas têm em um dado momento.

Lembro-me, que há bem pouco tempo atrás um dos maiores problemas no campo educacional brasileiro era o acesso. Hoje, a grande maioria de nossas crianças estão na escola. O problema agora é a qualidade da educação que o sistema tem oferecido a elas. Como vemos, é um outro problema, o que subtende, novas ações, mas não, necessariamente, a exclusão da participação popular dessa responsabilidade.

Como disse Raul Seixas, na música Prelúdio "Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade".

domingo, 31 de outubro de 2010

TECNOLOGIA E PROFESSORES


A nova era tecnológica vivenciada em pleno século XXI está a cada dia mais presente na vida de todos nós. Independente de fatores sociais e financeiros, a tecnologia vem se expandindo na vida das pessoas, todos os dias numa velocidade gritante.

O computador, que conta com o apoio do recurso da internet - a grande rede mundial de computadores - é, sem dúvida, um dos meios mais fascinantes e vem conquistando cada vez mais adeptos de todas as idades em várias partes do mundo.

No Brasil, essa realidade também acompanha adultos e crianças, e como não podia ser diferente, é um dos grandes atrativos em muitos dos espaços escolares que conseguem utilizar com inteligência o poder de tal ferramenta para dinamizar o processo educativo e com isso enriquecer o aprendizado dos alunos.

Por conta desse crescimento o uso dos meios digitais na educação tem sido alvo de muitas pesquisas, e algumas delas já conseguiram comprovar aquilo que muitos professores haviam constatado por meio de suas práticas mais inovadoras: que as mídias digitais contribuem para a melhoria da aprendizagem dos alunos.

Ao contrário do que algumas pessoas possam imaginar o uso desses recursos não são somente necessários junto aos adolescentes ou adultos, mas principalmente às crianças. Eu diria, inclusive, pela observação que tenho feito de práticas que acontecem no meu cotidiano, que já a partir dos quatro anos de idade é possível desenvolver um trabalho relacionado à informática educativa de forma bastante dinâmica e com eficácia, pois nessa fase há um desejo muito grande de experimentar o novo, de manusear, de descobrir... E são essas características que torna a experiência construtiva, pois as crianças, nessa fase, superam os próprios limites em busca das novas descobertas.

Com os maiores, há uma diversidade incrível de experiências de sucesso, principalmente com o uso de blog´s, que tem sido um grande diferencial nas aulas de muitos professores.

É importante destacar, que mesmo sendo algo inovador, é necessário que haja muita pesquisa e um planejamento consistente, com metas e objetivos bem claros, do contrário, o que era para tornar o processo educativo diferente, acaba se transformando em mesmice, e em nada vai contribuir para o enriquecimento da aprendizagem do aluno.

Independente das dificuldades encontradas cabe ao professor dá o primeiro passo, principalmente se não quiser ficar alheio ao que acontece no contexto que ele, aluno e escola estão inseridos. Não dá mais somente para vivermos de quadro negro e giz, há muitas linguagens que precisam e devem ser exploradas, e as linguagens dos meios tecnológicos, principalmente, do computador, que traz “à tiracolo” a grande rede mundial que envolve as mais diversas ferramentas sociais que conhecemos, são mais do que necessárias no processo ensino-aprendizagem, pois elas são capazes de oferecer elementos que só enriquecem o encontro de quem ensina com quem aprende, mesmo sabendo que ao final todos somos aprendizes dentro de um processo educativo.

domingo, 17 de outubro de 2010

DICA DE CURSO: APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS



O Instituto Paramitas está oferecendo o curso Aprendizagem Baseada em Projetos promovido pela Intel. Uma nova série de cursos na web para auxiliar professores a desenvolver melhor a aprendizagem dos seus alunos com o auxílio de tecnologias. O primeiro desta série de cursos é o “Aprendizagem com projetos”. O curso tem carga horária de 60hs para os educadores que realizarem o curso e elaborarem o Plano de Aula. Neste curso é possível explorar características e benefícios da Aprendizagem por meio de Projetos usando cenários de sala de aula reais. Dentre os assuntos abordados nos módulos destacamos:

-Visão geral de projetos;
-Concepção de projetos;
-Planejamento de projeto;
-Orientação de aprendizagem;
-Avaliação.

O curso oferece oportunidades de aplicar os conceitos adquiridos em Planos de Ação reais.

VANTAGENS DO CURSO:

-Curso focado nas necessidades dos professores, com foco no desenvolvimento de projetos;
-Metodologia de aprendizagem colaborativa: os professores podem interagir com outros educadores para a construção do projeto;
-Curso totalmente on-line, rompendo barreiras de tempo e espaço;
-Liberdade de navegação, de modo que os participantes poderão definir o próprio percurso de aprendizagem.

Aqueles que tiverem interesse e acreditam que podem concluir o curso até o final, pois isso é muito importante  para não tirar a oportunidade de outras pessoas que também gostariam de fazer o curso, é só acessar o link para efetuar a matrícula, aqui mesmo no BLOG, na coluna lateral direita, sessão "DICAS". Além da inscrição, é possível ter outras informações sobre o curso.

Não percam tempo e boa sorte!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DIA DE QUEM?




Quem me conhece sabe o quanto abomino essa história  de comemoração de algumas datas tidas como "comemorativas", principalmente, porque  no final das contas a data em si não faz menção à comemoração nenhuma. Na grande maioria dos casos, ou são modismos criados pelo mercado capitalista para lhe gerar muito mais lucro , ou refletem lembranças bastante desagradáveis que ao invés de serem chamadas "comemorativas" deveriam ser chamadas de "reflexivas" ou até mesmo "reivindicativas".

Em relação ao dia de hoje, por exemplo, tido oficialmente aqui no Brasil como o "dia do professor", a situação não é tão diferente assim. Pude perceber, ao longo do dia, o quanto as pessoas se cumprimentaram, o quanto desejaram felicidades aqueles que são professores... Mas será que alguém sabe o que realmente se comemora? Ou melhor, será que , de fato, existe algo a ser comemorado por traz desse dia? Há reflexões sobre isso?

Revisitando um pouco a história brasileira percebo que a minha indignação com certas "comemorações" não é à toa, e quanto ao dia de hoje, a situação é bem mais complexa do que eu imaginava.

Há  um bocado de anos atrás, exatamente em 15 de outubro de 1827, foi outorgado, por D. Pedro I, um decreto imperial  que se tratava, mais especificicamente, da primeira Lei geral relativa ao Ensino Elementar. Essa lei, conforme aponta os registros da época, tratou dos mais diversos assuntos, desde a descentralização do ensino, remuneração dos professores e mestras, ensino mútuo, currículo mínimo, admissão de professores até  as escolas das meninas.  Puxa, que maravilha! Dito assim, de forma bem geral parece que se trata da melhor coisa do mundo. E se fosse verdade, realmente eu me redimiria, engoliria as minhas humildes palavras e seria a primeira a aplaudir  pela grandiosidade do dia. Mas ao que me parece, essa era a proposta- de ser algo melhor, que contribuísse para o avanço do ensino.Se isso foi colocado em prática, ou se ao menos aconteceu em algum momento é uma outra história.
Mas uma coisa é certa: vocês sabem qual a primeira contribuição dessa "bendita" Lei, ainda em de 15 de outubro de 1827? Foi a de determinar, no seu artigo 1º, que as Escolas de Primeiras Letras (hoje, ensino fundamental) deveriam ensinar, para os meninos, a leitura, a escrita, as quatro operações de cálculo e as noções mais gerais de geometria prática. Quanto às meninas, pobres coitadas! Sem qualquer embasamento pedagógico, estavam excluídas das noções de geometria. Mas haveria algo muito "bom", "oportuno" e bastante "pertinente" para as pobres infelizes.Sim, as tão famosas "prendas": costurar, bordar, cozinhar... Tudo em prol da economia doméstica. Teria destino melhor para as mulheres daquela época?

Não quero aqui me prolongar em questões que não são centrais, mas todos nós sabemos a verdadeira  resposta para tal pergunta, não é mesmo?

Bom, é evidente que o tempo passou e que houve avanços em relação à referida lei, mas afirmar, depois de tal exposição que há algo a se comemorar é um tanto contraditório para quem se diz educador. Afinal de contas, mesmo anos depois a mulher, principalmente negra e índia continua pertencendo às classes mais marginalizadas; A descentralização das escolas, em muitos locais, só acontece no papel; o salário dos professores é o grande gargalo de todos os tempos, e a resposta, muitas vezes insensata, para explicar grande parte dos problemas educacionais. E o currículo, meu Deus! Esse sim, continua mais elitista do nunca. Fortalecendo o reinado da burguesia e fragilizando àqueles que mais precisam.

Aos educadores, de fato, aqueles que lutam diariamente pela mudança desta realidade, os meus parabéns, não somente por hoje, mas por ontem, por manhã, por depois e por todos os demais dias em que continuarão lutando pela tão sonhada transformação social.

LENDA SOBRE O PROFESSOR



Conta a lenda que quando Deus liberou o conhecimento sobre como ensinar os homens determinou que aquele "saber" ficaria restrito a um grupo muito selecionado de sábios. Mas, neste pequeno grupo, onde todos se achavam "semi-deuses", alguém traiu as determinações divinas... Aí aconteceu o pior!

Deus, bravo com a traição, resolveu fazer valer alguns mandamentos:

1º - Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental.

2º - Não verás teu filho crescer.

3º - Não terás feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga.

4º - Terás gastrite, se tiveres sorte. Se for como os demais, terás úlcera.

5º - A pressa será teu único amigo e as suas refeições principais serão os lanches, as pizzas e o china in box.

6º - Teus cabelos ficarão brancos antes do tempo, isso se te sobrarem cabelos.

7º - Tua sanidade mental será posta em cheque antes que completes 5 anos de trabalho;

8º - Dormir será considerado período de folga; logo, não dormirás.

9º - Trabalho será teu assunto preferido, talvez o único.

10º - As pessoas serão divididas em 2 tipos: as que ensinam e as que não entendem (a melhor!).

11º - A máquina de café será a tua melhor colega de trabalho, porém a cafeína não te fará mais efeito.

12º - Happy Hours serão excelentes oportunidades de ter algum tipo de contato com outras pessoas loucas como você.

13º - Terás sonhos, com cronograma, planejamento, provas, fichas de alunos, provas substitutivas e não raro, resolverás problemas de trabalho neste período de sono.

14º - Exibirás olheiras como troféu de guerra.

15º - E o pior: inexplicavelmente gostarás de tudo isso...

Autor Desconhecido

domingo, 10 de outubro de 2010

CONSULTA PÚBLICA SOBRE ORIENTAÇÕES CURRICULARES NACIONAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Agora, aquele que tem interesse pode debater com os consultores do MEC as Orientações Curriculares da Educação Infantil.


As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil, aprovadas em 17 de dezembro de 2009 determinam que cabe ao Ministério da Educação elaborar orientações para a implementação dessas diretrizes. Visando atender essa determinação, a Secretaria de Educação Básica, por meio da Coordenação Geral de Educação Infantil, está elaborando orientações curriculares num processo de debate democrático e com consultoria técnica especializada sobre diferentes eixos e experiências da educação infantil. O objetivo principal é contribuir com o trabalho do professor.

No período iniciado em 13 de setembro e que se encerrará em 30 de outubro aquele que tiver interesse e quiser participar pode enviar suas sugestões, críticas e propostas. Os documentos preliminares estão à disposição de gestores, conselheiros, técnicos, professores, pesquisadores e da comunidade para consulta e colaboração. Envie sua mensagem diretamente ao autor e com cópia para consultapublicacoedi@mec.gov.br.
Leia abaixo os textos elaborados pelos especialistas e expresse, desde já, sua opnião:

Zilma de Moraes Ramos de Oliveira

Maria Carmen Silveira Barbosa

Tizuko Morchida Kishimoto

Iza Rodrigues da Luz

Damaris Gomes Maranhão

Márcia Gobbi

Mônica Correia Baptista

Priscila Monteiro

Léa Tiriba

Ana Paula Soares da Silva

Hilda Micarello

Fonte : MEC

sábado, 9 de outubro de 2010

É PRECISO OUVIR AS CRIANÇAS


Sociólogo da infância aponta a necessidade de percebê-las como um grupo com ideias próprias, distinto dos demais, e diferenciado entre os indivíduos que o compõem

A sociologia da infância se propõe a construir a primeira fase da vida do ser humano livre de interpretações nas quais as crianças se desenvolvem independentemente da construção social, das suas condições de existência e das representações e imagens historicamente construídas sobre e para elas. Trata-se de uma área nova, recém-desbravada por pesquisadores de todo o mundo. Manuel Jacinto Sarmento, diretor do Centro de Educação da Universidade do Minho, em Portugal, é um deles. "Os estudos têm dito, há 20 anos, de maneira enfática, que os pequenos necessitam ser conhecidos em sua verdadeira realidade."

Durante visita ao Brasil para uma série de encontros, eventos e visitas, Sarmento concedeu entrevista à repórter Cristiane Marangon logo após sua exposição em um congresso de educação infantil realizado em Maceió (AL). "Tenho aprendido muito com os brasileiros e com suas experiências concretas de vida. Há muita troca de conhecimento e esses intercâmbios também são de muita aprendizagem."

É possível definir um tipo de infância?
Essa questão é controversa e muito debatida por diferentes autores. Alguns dizem que é necessário falar da infância no singular para tratá-la como categoria social. Os sociólogos que trabalham com essa visão se preocupam com indicadores sociais de demografia ou de economia e também de natureza simbólica. Na demografia, procura-se perceber de que modo o grupo infantil estabelece relações de porcentagem com outros agrupamentos populacionais e quais são os diferentes espaços que ocupam na sociedade. Do ponto de vista econômico, entende-se que as crianças, com exceção daquelas vinculadas ao trabalho infantil, se caracterizam por não participar da economia e, por isso, não são importantes como classe econômica. No simbólico, as concessões que existem traduzem-se nos modos de agir dos adultos em relação às crianças. Há também os sociólogos que trabalham na base interpretativa ou crítica, que tendem a encontrar e pluralizar as formas de infância. Consideram que a ação caracteriza a categoria pelos desempenhos coletivos e individuais, que são atravessados pelos gêneros, pelas classes sociais, pelas etnias, pelas diferenças que dizem respeito ao espaço no mundo e tendem a enfatizar que existem várias infâncias.

E qual é o seu entendimento sobre a infância?
Não é possível dizer que há uma única infância. Necessitamos articular as concepções para perceber o que é comum a todas as crianças. Na minha opinião, ela deve ser percebida como um grupo geracional, distinto do mundo adulto. As crianças são diferentes umas das outras e, nessa diversidade, há fatores sociais acentuados, que não são puramente individuais. Por exemplo, há elementos comuns por uma parte de tempo de suas vidas, pois vivem sob a guarda de responsáveis, já que não são capazes de ficarem sozinhas. No entanto, isso mudou ao longo do tempo. A independência delas tem sido retardada em relação ao que ocorria há 20 anos. A entrada no mercado de trabalho se dava mais cedo e, por isso, ficavam longe da guarda de seus pais precocemente.

Como a infância tem sido interpretada pelos adultos?
Vivemos em um tempo em que há uma coincidência de várias concepções - desde que a criança deve ser submetida a processos rigorosos de controle de autoridade até a que ela, sendo um ser de direito, precisa ser respeitada na sua autonomia. Essas representações são bem diferenciadas e acompanham a história da humanidade nos últimos 250 anos. É possível dizer que há dois polos. Um deles é que a criança é um ser irracional e imoral e, por isso, deve ser submetida a processos de racionalização e moralização, que acontecem pela educação, seja familiar ou escolar. A outra concepção é que a criança é naturalmente boa e que, para educá-la, basta sustentar e apoiar seu desenvolvimento. Vale ressaltar que essas compreensões são produzidas, principalmente, na sociedade ocidental e disseminadas pelo mundo. É preciso que todos saibam que existem infâncias diferentes. No Brasil, por exemplo, há comunidades indígenas em que só se deixa de ser criança ao se tornar pai ou mãe.

Como o docente pode chegar mais perto do que as crianças pensam para estabelecer uma comunicação mais adequada?
A escola foi edificada com base em um modelo cognitivo, ou seja, um entendimento de homem, de sociedade, de cultura e de criança, que sempre formou os educadores. A instituição escolar é pensada como um lugar de transmissão de cultura para um sujeito que está inserido na sociedade e em processo de transição. A passagem pela escola serve para que isso seja garantido. Ela está centrada na comunicação, portanto, no poder do adulto sobre a criança, pois se supõe que os pequenos são seres em desenvolvimento e passam por várias etapas. No entanto, os estudos da criança têm dito, há 20 anos, de maneira muito enfática, que elas necessitam ser conhecidas em sua verdadeira realidade. A própria psicologia tem desmentido as etapas de desenvolvimento concluídas por Jean Piaget, consideradas adultocêntricas, pois o desenvolvimento humano é feito em contextos sociais e culturais. Não há linearidade e nem teleologia que independam de contexto e também de circunstância em que se encontram os pequenos. Precisamos trabalhar em uma renovação na concepção que forma os professores, pois eles decidem o trabalho nas escolas.

Quais são os danos para as crianças mais afastadas culturalmente da escola?
Elas reagem desenvolvendo estratégias de sobrevivência, como abandonar a escola precocemente e procurar sentido para a vida fora desse espaço. Isso nada mais é que uma atitude de resistência. O indivíduo encontra satisfação e referência pessoal no contato com amigos e vizinhos e, por isso, passa a criar aspirações e expectativas compatíveis com essas motivações. No entanto, é importante destacar que há benefícios mesmo quando há danos, pois essas crianças encontram duas coisas fundamentais na escola: um espaço público e de convivência. No primeiro caso, elas são reconhecidas como membros de uma sociedade, o que é simbolicamente importante. No segundo, é fundamental conviver com outras crianças e poder desenvolver as culturas de pares. É claro que pode haver outros benefícios, mas isso depende da capacidade que a escola tem de gerir sua autonomia e de ir ao encontro dos que estão mais afastados de sua cultura, promovendo relações, produzindo seu conhecimento a partir do que se percebe e, nessas circunstâncias, poder lidar e gerir mais adequadamente o abandono, se ele acontecer.

O senhor defende que as crianças participem de maneira ativa na vida social. De que maneira?
A participação da criança na sociedade é um elemento novo que está expresso no documento A Convenção sobre os Direitos da Criança, das Nações Unidas, de 1989, em que se consagrou a ideia de que a criança não pode ser ignorada em sua opinião sobre os aspectos que lhe dizem respeito, atendendo à capacidade que ela tem de exprimir a própria opinião. Sua participação social significa que o conhecimento que ela tem deve ter voz, deve ser auscultada e deve ter efeito, ou seja, influenciar seu modo de vida. Atualmente há um movimento nas cidades amigas da criança, cujo eixo central é ouvi-las na formulação de políticas públicas no que diz respeito ao mobiliário, ao equipamento, à mobilidade, à programação de atividades etc. Elas deveriam ser ouvidas também politicamente e isso não tem a ver com o fato de ter direito a voto, ainda que não seja uma ideia não instrumentada. Isso acontece em alguns grupos sociais. Em uma comunidade indígena brasileira, por exemplo, sempre que há um assunto importante, todos se reúnem em assembleia e têm direito de exprimir opinião. A decisão cabe aos mais velhos, mas sempre depois de ouvir a todos. Inclusive, as mulheres grávidas podem falar duas vezes porque é considerado o filho que se desenvolve no seu ventre. Isso é a ruptura com um modelo mental do nosso tempo em que a criança não tem participação política porque não fala.

Como funcionaria na prática?
Trata-se de criar dispositivos institucionais para auscultação das vozes das crianças por meio de inquéritos de opinião, caixas de sugestões, linhas de comunicação - seja telefônica ou pela internet - e realização de processos de audição. Isso pode, em alguns casos, nomear representantes dos grupos infantis organizados com seus conselhos para serem ouvidos. É um modelo que reproduz as democracias ocidentais. Essa atitude necessita ser permanente, não pode se esgotar no dia a dia e precisa de dimensão mais profunda, seja na escola, na cidade ou na família. Há vários municípios que desenvolvem atividades e projetos assim. Os mais conhecidos são os de algumas cidades italianas.

Muitos produtos direcionados ao público infantil são feitos por adultos e, inclusive, carregam os valores do mundo adulto. De que maneira isso influencia a vida das crianças?
Na cultura industrial, em que os conteúdos e os produtos são feitos pelos adultos para o consumo infantil, nunca se deixa de reproduzir os estereótipos do mundo adulto. Walt Disney, por exemplo, tem uma produção cultural própria de grande difusão com conceitos e valores identificados como patriarcais, paternalistas, conservadores, que revelam padrões de uma família burguesa ocidental em que raras vezes se encontram modelos diferentes dos brancos anglo-saxônicos. Essas produções também são formas culturais influentes e com muita capacidade de atração. Isso se deve ao fato de elas jogarem na dimensão da ficcionalidade, que é importante na cultura da infância, ou seja, na transposição imaginária do real e da ludicidade. Alguns estudos têm mostrado que há uma grande homologia entre os movimentos imaginários dos adultos e os das crianças na produção da indústria cultural infantil e que essa relação vai acompanhando o fluxo dos tempos.

O senhor afirma em seus estudos que as crianças são produtoras de cultura. Como é possível, se elas são influenciadas pelos adultos?
As crianças não estão sob a tutela dos adultos o tempo todo. Elas sofrem processos de socialização na relação com os pais, as famílias, os vizinhos e os professores, mas também se envolvem socialmente com seus pares. Nas brincadeiras e nos jogos, seja em tempo real ou virtual. Isso é comum e importante. Mesmo atravessadas pelos adultos, elas produzem culturas próprias. É comum atribuir ao adulto o título de produtor cultural, mas é importante ressaltar que eles também são atravessados pelas culturas que herdaram. Não há diferença sobre a condição do adulto como produtor cultural e a da criança. O pintor Pablo Picasso, por exemplo, foi um produtor cultural revolucionário, que alterou muito a cultura ocidental e fez muitas relações com as quais convivia. Produção cultural, mesmo quando genial, é sempre feita na relação. É importante que as crianças produzam a própria cultura nas condições que têm para fazer isso.

Fonte: Revista Educação, Edição 161, Setembro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

SONHOS


Depois de uma semana longe de casa, cá estou no aconchego do meu lar. Matar a saudade da família, dos amigos, receber mimos e manhas que só aqueles que nos conhecem muito bem são capazes de nos contemplar.

Após a calmaria, a cabeça volta a ferver diante de tantas novas vivências conhecidas e tantos novos conhecimentos compartilhados. Foram pessoas: adultos, adolescentes e crianças, que cheios de vontade e com muita alegria puderam expressar de modo carinhoso um pouquinho de seus sonhos. Sonhos grandes, pequenos, fáceis, difíceis, mas não impossíveis quando se põe a alma na trajetória pela sua conquista. Sonhos motivados pela esperança e pelo grande desejo de que a transformação social pode sim ser resultado de um processo coletivo, democrático, crítico e libertador.

Acreditar em tudo isso, aparentemente não é fácil, mas para os verdadeiros educadores a vida é sempre um grande desafio e encontrar a forma de encará-la de um jeito mais prático e menos doloroso é uma das nossas funções.

Motivar vontades, compartilhar ideias, mobilizar pessoas, incentivar mudanças, são ações sempre presentes em nossas vidas e na de muitos outros educadores Brasil a fora. E como é maravilhoso saber que os nossos sonhos não são tão solitários como imaginávamos. E que a luta por uma educação transformadora e libertadora é prioridade, também, em outros tantos cantos do nosso país.

Puxa! Bacana saber que mesmo numa sociedade tão capitalista como é a nossa, cujos processos educativos, em sua grande maioria, atendem ao modelo elitista, ainda existem pessoas preocupadas com o seu próximo e dispostas a colaborar para que essa realidade seja transformada. Pessoas as quais eu considero verdadeiros educadores, que refletem com clareza a imagem descrita por Rubem Alves em Conversas com quem gosta de ensinar: "Educadores habitam um mundo onde o que vale é a relação que os liga ao aluno, sendo que cada aluno é uma entidade sui generis, portador de um nome, também de uma estória, sofrendo tristezas e alimentando esperanças". E que também me faz recordar aquele apontado por Freire em Pedagogia da Autonomia, principalmente no que diz respeito ao reconhecer a origem de seus educandos, pois segundo o grande mestre, o verdadeiro educador precisa ter consciência que o ser humano é um ser condicionado a uma sociedade, a uma história, a uma cultura e essas características devem ser respeitadas e devem está presentes no ato de ensinar, fazendo com que os educandos possam refletir sobre sua própria existência. São esses "detalhes" que fazem o diferencial naqueles que podem, de fato, serem considerados, grandes educadores.

Para o meu alívio, ainda existem alguns , e mesmo que a batalha seja árdua, enquanto existirem, a educação deixará de ter como meta um produto final, onde os números falam mais alto, independente da qualidade, para se transformar num processo grandioso, capaz de contribuir para a reflexão e consequentemente para a liberdade de muitos.
Sigamos alimentando os sonhos, pois eles são essenciais para as grandes realizações.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

É PRECISO FICAR DE OLHO


Em ano eleitoral é sempre a mesma coisa, além de promessas feitas por meio de discursos belíssimos, os políticos, de uma forma geral, fazem de tudo para mostrar serviço.

Em situações como essa é importante ficarmos atentos e abrirmos os olhos para algumas ideias mirabolantes que tramitam no Congresso, principalmente quando se trata de educação.

De acordo com um levantamento feito pela ONG Ação Educativa, são mais de 250 propostas cujo foco principal é a alteração curricular. Há as mais diversas invenções, desde a introdução ao ensino do esperanto, até questões reincidentes, como a obrigatoriedade do ensino de geografia durante todo o ensino médio.

Diante disso, muitos questionamentos vêm à tona. O primeiro deles é saber o porquê desse tipo de decisão ter que ser tomada pelos então parlamentares. E não faço esse questionamento somente pela desconfiança em relação à capacidade de conhecimento de muitos deles sobre o assunto, não. Pois sabemos, que poucos teriam capacidade técnica suficiente para abordar propostas descentes seguindo uma lógica pedagógica coerente. Os meus questionamentos embasam-se, justamente, na lógica do processo democrático que é tão discutido e colocado em evidência nos dias atuais nas então instâncias públicas escolares, Afinal de contas, não concordo que esse tipo de decisão deva ser tomada por essas pessoas. Quem está no dia-a-dia com os alunos e conhece todo o contexto onde os mesmos estão inseridos, incluindo aí as principais necessidades didáticas, com certeza, não são os parlamentares.

Outro questionamento que não me sai da cabeça é saber por meio de qual lógica essas propostas são formuladas. Porque pelo amor de Deus, querer propor o ensino do esperanto, uma língua que é falada por somente 0,1% da população mundial, quando os índices de leitura e escrita em relação à língua oficial  são piores dos últimos tempos, ou se está querendo brincar ainda mais com a nossa cara, ou realmente, não se conhece à realidade educacional do país no qual foi eleito.

É, de fato, uma situação bem complexa, mas também preciso esclarecer que existem exceções, como a ênfase ao ensino do meio ambiente e à cultura de paz. Embora eu não acredite que seja necessário se criar uma disciplina específica para se trabalhar com tais temáticas, e também concorde que isso já não seja feito por algumas escolas e demais entidades que lidam com educação. Existem experiências belíssimas Brasil a fora, só precisam ser mais bem divulgadas para servir de incentivo a outras escolas que ainda não a praticam.

Portanto, vamos ficar atentos e abrirmos os olhos, senão o currículo educacional brasileiro corre o risco de se transformar num grande elefante branco: grande, aparentemente bonito, mas ineficaz e distante da realidade dos nossos alunos.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

COMEMORAR O QUÊ?


Quando eu era criança, no dia de hoje, costumávamos reunir toda a família para um destino certo: o desfile de 7 de setembro.
Ficava ansiosa pelo grande momento, afinal de contas, na minha inocente mente, era um momento histórico e muito importante para a nação da qual eu também fazia parte.
A expectativa era grande, e enfim chegava o tão esperado momento. Meus olhinhos de criança brilhavam diante de tantas cores que se misturavam em meio aos soldados do exército, aos marinheiros da marinha mercante e os fuzileiros naval. As bandeirinhas em verde e amarelo era presença marcante nas mãos daqueles que  acompanhavam o grande momento, e no meu caso, não era diferente. A cada passagem de uma nova tropa, de novos personagens, minhas mãos agitavam eufóricas a bandeira do Brasil.
Hoje, tenho um outro olhar para essa data. Tenho consciência plena que não se trata de um momento de comemoração, mas de reivindicação, como já faz uma parcela, ainda pequena, da população através do "grito dos excluídos". No entanto, não culpo a minha mãe pelo que a mesma fazia antigamente quando me conduzia para a orla principal da cidade para prestigiar esse tipo de comemoração, pois assim como ela milhares de brasileiros também se iludiam e ainda deixam-se iludir diante da referida data. As escolas, por exemplo, elas também fortaleciam essa  mesma corrente de que era uma data comemorativa importante. Não duvido disso! Mas é como já disse, pouco existe quando se trata de comemorar, mas muito para revindicar. E essa é talvez uma excelente oportunidade de fazer com que muitos estudantes percebam o que, de fato, há por trás deste 7 de setembro. É uma oportunidade ímpar para se fazer uma análise crítica da situação do nosso enorme país. Falar da pobreza, da miséria, da fome, da violência, enfim, mostrar o verdadeiro retrato do nosso Brasil. Quando digo isso, não tenho em mente a ideia de "chocar", mas de revelar o que muitos não conseguem perceber. Talvez depois desta reflexão muitos estudantes descubram o verdadeiro sentido dessa data. E quem sabe não passem a questionar: De que independência estamos falando? 

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VOTAR TAMBÉM É UM ATO EDUCATIVO


Por mais que queiramos adiar a existência do fato somente para o dia do pleito propriamente dito, o processo eleitoral já está aí e não adianta fazermos vistas grossas para isso.

Ontem, especificamente, foi dado início a campanha eleitoral na mídia televisiva.

Normalmente, faço questão de assistir, ao contrário de muitas pessoas que dizem está de “saco cheio” para tantas mentiras. Mas é estratégico e às vezes até hilariante a forma como alguns candidatos apresentam as suas propostas no “grande” guia eleitoral.

Ao contrário do que pude visualizar em anos anteriores, pelo menos nesse início do processo, tudo começou com bastante tranquilidade, de forma pacata e até tímida para uma campanha em que um dos candidatos eleitos será o presidente da república.

Segundo alguns especialistas na área das mídias, principalmente televisiva, essa característica deve permanecer durante todo o processo eleitoral, pelo menos em relação a candidatura à presidência, pois o nosso atual eleito, o Sr. Luís Inácio Lula da Silva, é uma pessoa de grande aceitação, e isso não somente aqui em nosso país, mas em várias partes do mundo, o que dificulta à típica “malhação” que normalmente os candidatos da oposição fazem ao candidato do governo quando o próprio não está em disputa.

No programa Observatório da Imprensa exibido na noite de ontem, por exemplo, o assunto discutido pelos debatedores, entre eles o jornalista Eugênio Bucci, era exatamente este. Segundo ele, dificilmente, pelo menos na televisão, essa questão de denegrir a imagem do candidato apoiado pelo atual presidente se propagará, pois pode até não ser estratégico para quem o faz e ao invés de ajudar, poderá prejudicar.

O que é interessante, nesse caso, segundo ele, é que isso pode não funcionar da mesma forma na grande rede. A internet é vasta. Não se tem um controle seguro sobre o que é feito e por quem é feito, o que pode acarretar em informações, muitas vezes, de baixo nível e inverídicas. Por essa razão, ao contrário do que muitos costumam fazer, é nesse momento que precisamos estar o mais próximo possível de questões como essas.

Para os que são da área da educação é preciso estarmos atentos a tudo, afinal de contas serão esses , hoje candidatos, amanhã os congressistas responsáveis por definir ,de fato, o novo PNE – Plano Nacional de Educação. Plano esse, que entre algumas especificidades tratará do custo aluno, da carreira docente, da quantidade de alunos por turma, do novo processo de atendimento nas creches, do problema do analfabetismo... Enfim, de prioridades essenciais para a melhoria do sistema educacional do nosso país.

Como podemos perceber, votar é muito mais que teclar números em uma urna eletrônica, é um ato de educação, um ato de cidadania na forma mais intensa que a palavra é capaz de expressar.

Pensem nisso!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

MAPAS INTERATIVOS


Achei de grande relevância a reportagem publicada  por Ricardo Carvalho, na Revista Carta na Escola sobre os mapas interativos, razão pela qual quero compartilhá-la com vocês. Vale a pena conferir!

É possível percorrer o mundo e conhecer as características geológicas, políticas e econômicas de diversos países usando apenas um mouse

O desenvolvimento das novas tecnologias da informação permitiu que uma série de suportes fosse trabalhada em sala de aula. Com a internet, educadores têm acesso a ferramentas gratuitas que auxiliam suas atividades na classe. Especificamente na área de geografia, estão espalhados sites pela web que disponibilizam gráficos, cartografias, dados populacionais e indicadores sociais, permitindo uma análise comparativa de geografia física e política entre todas as regiões do mundo. Com um adicional: as grandes possibilidades de manipulação e interação com todos os dados apresentados.

O professor de Tecnologia Educacional Jarbas Novelino Barato indicou em seu blog (jarbas.wordpress.com) alguns sites que contêm material com curiosidades de geografia física e política. O grande diferencial, diz Novelino, está na quantidade de recursos interativos nesses portais. “O aluno não vai apenas ver informação, mas ser ativo”, afirma. O site StatPlanet(www.sacmeq.org/statplanet/StatPlanet.html), por exemplo, é constituído de um mapa político do mundo em que os mais diversos indicadores socioeconômicos aparecem na medida em que o usuário passa o mouse pelos países. Assim, é possível comparar a diversidade linguística do Brasil, onde existem mais de 193 idiomas existentes, e a Espanha, com pouco mais de 20.

Outro portal sugerido por Novelino é o IBGE Países (www.ibge.gov.br/paisesat/¬main.php), que conta com a vantagem de ser em português. Parecido com o StatPlanet, o IBGE Países fornece dados curiosos de países, como o número de linhas telefônicas na Coreia do Norte (4,97 a cada 100 habitantes) em contraponto ao da França (56,42).

Essas tecnologias dão aos professores meios para que proponham atividades de análise de dados entre seus estudantes, podendo criar quadros comparativos entre várias nações. “O professor pode comparar dois países produtores de petróleo, como Angola e Tunísia, e pedir que os alunos levantem a renda per capta e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada um”, exemplifica Novelino. Com isso, um debate seria promovido sobre as razões pelas qual o PIB por habitante angolano e o tunisiano serem próximos (3.068 e 3.390 dólares, respectivamente) e haver grande disparidade entre os IDH (0,564 e 0,769).

Há também portais interativos na web que trazem dados mais específicos, como número de nascimentos e falecimentos por minuto e quantidade de carbono liberado na atmosfera por país. Além de outros que exploram recursos visuais diferenciados, como o WordlMapper (world¬mapper.org). Este, em vez de disponibilizar apenas dados numéricos, recria os mapas de acordo com os indicadores. Assim, ao selecionar a opção População Total Mundial, países como Índia e China aparecem com uma área proporcional às suas populações, tornando-se muito maiores do que as outras nações.

Para permitir que você, caro professor, desenvolva algumas dessas atividades com seus alunos, selecionamos sites que, além de trazer informações interessantes sobre geografia, permitem grande quantidade de recursos e interação.

Ambiente, sociedade e história (em espanhol)

O site Guia El Mundo (guiadelmundo.org.uy/cd/countries/index.html) lista indicadores por país, mas possui um formato diverso. Ao invés de um mapa-múndi interativo, há uma ferramenta de busca que leva o visitante à página reservada a cada Estado. Apesar de não ter tantos dados quanto o StatPlanet, o portal apresenta um resumo da história, ocupação e composição étnica de cada nação.

Mapas e animações (em inglês)

O Worldmapper (www.worldmapper.org) possuí mapas com tamanhos reajustados de acordo com o indicador selecionado. Ao escolher o link “Usuários de internet em 2007”, os Estados Unidos, Europa e parte da Ásia aparecem extremamente grandes, enquanto África, Oriente Médio e América Latina diminuem.

Indicadores socioeconômicos (em inglês)

O StatPlanet (sacmeq.org/statplanet/StatPlanet.html) é um completo site de geografia em inglês que disponibiliza diversos dados e indicadores socioeconômicos por país. Além de fornecer estatísticas de demografia e população, acesso a tecnologias digitais, economia e desenvolvimento, educação, meio ambiente e energia, saúde, política e língua, o StatPlanet possuí gráficos que mostram as variações dos dados nas últimas duas décadas. Assim, é possível ver o crescimento da expectativa de vida no Brasil, que era de 67 anos, em 1990, e atingiu 72, em 2006.

Indicadores socioeconômicos (em português)

Com menos recursos do que o StatPlanet, o IBGE Países (ibge.gov.br/paisesat/main.php) conta com o adicional de ser em português. Assim como o anterior, basta clicar sobre o país para conhecer dados populacionais, indicadores sociais, economia, redes de comunicação e meio ambiente. Ao lado de cada subitem (IDH, presente na aba de indicadores sociais, por exemplo), há o link “Dados do Mundo”, que organiza uma tabela com as informações listadas por nação.

Emissão de carbono (em inglês)

O BreathingEarth (breathingearth.net) é um mapa online mais específico. Ao passar o mouse pelos países, o usuário recebe informações sobre população e emissão de carbono. Ao selecionar o Brasil, o internauta vê que uma pessoa morre a cada 25,3 segundos, enquanto um nascimento ocorre a cada 8,6 segundos. Já na emissão de CO2, o País libera mil toneladas a cada 1,6 minuto, uma média de 1,69 tonelada por pessoa ao ano.

Emissão de carbono (em inglês)

Este mapa, encontrado no link www.washingtonpost.com/wp-srv/special/climate-change/global-emissions.html, é produzido pelo jornal norte-americano The Washington Post e traça um histórico das mudanças climáticas ocorridas nos últimos 50 anos. É possível ver como a China saiu de um distante 7º maior emissor de carbono, em 1950, para o maior poluente em 2006.

sábado, 24 de julho de 2010

ONU: BRASIL TEM A 3ª PIOR DESIGUALDADE DO MUNDO


Dez dos 15 países com maior concentração de renda estão na região da América Latina. Situação brasileira apresentou melhoras recentemente, mas ainda tem sérios problemas e a qualidade da educação pública é uma delas

Em  um dos mais recentes relatórios publicados, sendo o  primeiro  sobre o desenvolvimento humano para a América Latina e Caribe em que é abordado especificamente o problema da distribuição de renda, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) constatou, o que  muitos de nós já sabíamos, que a região continua sendo a mais desigual do planeta. Segundo os dados, dos 15 países do mundo nos quais a distância entre ricos e pobres é maior, 10 estão na América Latina e Caribe. O nosso país, o Brasil, tem o terceiro pior Índice de Gini que mede o nível de desigualdade e, quanto mais perto de 1, mais desigual do mundo, com 0,56, empatando nessa posição com o Equador.
Situação pior que essa só é encontrada em paises como Bolívia, Camarões e Madagascar, com 0,60; seguidos de África do Sul, Haiti e Tailândia, com 0,59, o que é uma vergonha! Para chegar a tal conclusão, o Pnud, por meio do referido relatório, considera a renda domiciliar per capita e o último dado disponível em que era possível a comparação internacional.
No caso do Brasil, porém, a desigualdade  de renda já foi bem pior, mas caiu fortemente nos últimos anos e, em 2008, especificamente, o Índice de Gini estava em 0,515, mas a situação ainda é preocupante, e o momento eleitoral que já estamos vivendo é uma excelente oportunidade para apontarmos esse tipo de problemática e exigirmos soluções viáveis e em tempo hábil para a mesma. O que precisamos fazer é não esquecermos de tudo isso nos deixando levar, principalmente agora, pelo euforismo dos preparativos em torno da próxima copa do mundo de futebol, que não deixa de ser um evento relevante para o país, mas que as vezes "cega" a população para os problemas mais essenciais que nos rodeiam.
Retomando a discussão anterior, em relação aos países da região onde a situação é um pouco mais favorável e há menos desigualdade estão relacionados Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai, com Gini inferior a 0,49. Na média, segundo o Pnud, o Índice de Gini da América Latina e do Caribe é 36% maior que o dos países do leste asiático e 18% maior que os da África Subsaariana.
O relatório, denominado Atuar sobre o futuro: romper a transmissão intergeneracional da desigualdade, mostra que a concentração de renda na região é influenciada, principalmente, pela falta de acesso aos serviços básicos e de infraestrutura, baixa renda, além da estrutura fiscal injusta e da falta de mobilidade educacional entre as gerações.
Aqui, por exemplo, no Brasil, a educação dos pais tem forte influência. A escolaridade desses influencia em 55% o nível educacional que os filhos atingirão no futuro. E hoje, um dos maiores problemas enfrentados pela instituição escola é manter uma aproximação mais direta com esses pais, de forma que os mesmos possam está mais presentes da realidade educacional de seus filhos e assim possam colaborar para melhorá-la, o que tem sido um grande desafio para a educação do país.
O estudo ainda mostra também que a classe feminina continua sendo uma das classes menos valorizadas, pois ser mulher indígena ou negra na região é, em geral, sinônimo de maior privação. As mulheres recebem menor salário que os homens pelo mesmo tipo de trabalho, têm maior presença na economia informal e trabalham mais horas que os homens. Em média, o número de pessoas vivendo com menos de um dólar por dia é duas vezes maior entre a população indígena e negra, em comparação com a população branca.
Ainda segundo o relatório, a desigualdade na região é historicamente alta, persistente e se reproduz num contexto de baixa mobilidade social. No entanto, para a entidade, é possível romper esse círculo vicioso não com meras intervenções para reduzir a pobreza, mas com a implementação de políticas públicas de redução da desigualdade. Um exemplo são mecanismos de transferência de renda.
De 2001 a 2007, o gasto social cresceu 30% na região A desigualdade deve ser combatida como objetivo de política explícito, diz o documento.
Mas essa diretriz parece não ter funcionado na região. Os altos níveis de desigualdade têm sido relativamente imunes às diferentes estratégias de desenvolvimento implementadas na região, conclui o estudo.
Entre as conquistas da América Latina e Caribe, o estudo mostra que as mudanças na política social da região na década de 1990 se refletiram na distribuição de renda. O gasto público social apresentou tendência crescente e gira em torno de 5% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) dos 18 países da região, apesar das limitações fiscais enfrentadas pela maioria dessas economias.
Além disso, registrou-se na região um aumento do gasto social por habitante, em média, de quase 50% entre 1990 e 2001. Entre 2001 e 2007, o aumento foi de 30%. A maior parte do dinheiro concentrou-se nas áreas de seguridade e de assistência social, esta última, representada principalmente pelo aumento no número de aposentados.
A situação é preocupante, mas se uma das alternativas para tamanha problemática é a implementação de políticas públicas viáveis e que apresentem resultados concretos, é necessário criar alternativas, também, de mobilizar as pessoas a lutar por isso.
Dizem que existem muitos caminhos, não quero ser egoísta nem limitar minha visão nesse sentido, mas, particularmente falando, só consigo vizualizar a verdadeira mobilização de pessoas por meio de um processo educacional  justo e democrático, onde essas são protagonistas da ação em desenvolvimento.

OBS.: Muitas das informações registradas nesse texto tiveram como fonte bibliográfica O Jornal "O Globo".

Para quem tem interesse em saber mais informações sobre o assunto pode acessar a seguinte página da Internet: http://www.idhalc-actuarsobreelfuturo.org/site/index.php , na qual estão disponíveis todos os materiais impressos (informe, relatório executivo, revista de imprensa etc) e outros como um documentário de curta duração que pode ser assistido através do link: http://www.idhalc-actuarsobreelfuturo.org/site/actuartv.php .
Também pode ser consultando um suplemento especial elaborado em conjunto com o jornal El País, no qual mais de uma dezena de personalidades entre presidentes e ex-presidentes, escritores, acadêmicos, atores e músicos da região, escrevem artigos sobre a desigualdade. O suplemento pode ser consultado através do seguinte endereço: http://www.idhalc-actuarsobreelfuturo.org/site/suplemento.php .

domingo, 11 de julho de 2010

AS FERRAMENTAS SOCIAIS NA EDUCAÇÃO



A velocidade com a qual os recursos tecnológicos vêm progredindo nos dias atuais é bastante intensa e, muitas vezes, até assustadora. Quando estamos começando a nos adaptar com algum novo equipamento ou programa, mal piscamos os olhos e pronto, lá vem uma outra novidade cada vez mais aperfeiçoada e com muito mais recursos.
Tal situação tem sido constante, mas ao invés da sociedade abrir os olhos para essa realidade, tem ocorrido o contrário, pouquíssimas pessoas têm dado a devida atenção para as tecnologias da informação e comunicação (TIC´s), principalmente na área educacional, onde estas, quando bem aproveitadas, podem transformar a prática pedagógica de qualquer educador.
Embora a instância educacional, na sua grande maioria, não tenha percebido esse potencial transformador que são as TIC´s, conforme já destacado no parágrafo anterior, existe uma minoria que já percebeu e está fazendo a diferença em suas salas de aulas, enriquecendo diariamente a relação professor-aluno.
Mesmo que ainda tímidas essas experiências com o uso das TIC´s, aqui no Brasil, têm sido riquíssimas e também têm apresentado resultados surpreendentes. Como um grande exemplo disso podemos citar o projeto desenvolvido pela educadora gaúcha, Marli Fiorentino, que se apropriou da ferramenta blog¹ , uma das ferramentas sociais da Web 2.0² para inovar sua prática pedagógica junto aos alunos. Tal experiência, não somente qualificou a didática da educadora, mas principalmente, permitiu com que seus alunos participassem de um processo colaborativo bastante intenso onde, a todo o momento, não somente aprendiam, mas também ensinavam, fortalecendo o discurso de Freire em Pedagogia da Autonomia, quando enfatiza que o verdadeiro ato educativo é aquele onde aprendem educador e educando.
A experiência vivenciada por Marli e seus alunos é uma prova concreta de que a educação pode e deve usufruir das ferramentas sociais em seus ambientes de aprendizagem. O blog, ferramenta utilizada pela educadora, é apenas uma de uma série de ferramentas que podem ser aproveitadas pelo educador no intuito de não somente modernizar, mas qualificar e melhorar muito o trabalho que desenvolve com seus alunos.
Sabemos que o novo em muitos momentos pode parecer assustador, mas não significa que somos incapazes de lhe darmos com ele.
Por isso, deixe um pouco os temores de lado e ouse mais se não quiser ficar para trás nesse mundo tão globalizado, tecnologicamente falando.
Ao final, com certeza, todos sairão ganhando, principalmente, professor e aluno.

¹ O blog desenvolvido pela educadora Marli Fiorentino e seus alunos chama-se “Vidas Secas - da ficção à realidade”. Para conhecer melhor a experiência é só acessar o link - http://vidassecascolbachini.zip.net/.

² Web 2.0 – Segundo Daniela Bertocchi, jornalista, mestre em Ciberjornalismo pela Universidade do Minho, não existe um consenso sobre a web 2.0. Mas, o discurso mais comum é que trata-se do processo revolucionário da internet, onde seus usuários passam a usufruir mais do poder de participação e criação que rede proporciona.

terça-feira, 6 de julho de 2010

JÁ SE PREVIA, INFELIZMENTE!



Embora os resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) tenham apresentado melhoras, conforme  apontam os indicadores registrados e publicados recentemente, fiquei me questionando sobre várias coisas, e com certeza , esses questionamentos não foram somente meus, mas de muitos educadores, principalmente , aqueles que prezam pela qualidade da educação brasileira.
Primeiramente, antes de partir para a exposição dos questionamentos propriamente ditos, quero fazer uma pequena exposição do que vem a ser o Ideb, pois desta forma, com certeza, entenderemos melhor a reflexão que será feita  sobre tal assunto.
Conforme dados apresentados pelo próprio Ministério da Educação, O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do Inep*(Instituto Nacional de Educação e Pesquisa)  e em taxas de aprovação. A nota que lhe é atribuída se apresenta numa escala que vai de zero a dez. Assim, para que o Ideb de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita o ano e frequente a sala de aula.
O índice é medido a cada dois anos e o objetivo é que o Brasil, a partir do alcance das metas estabelecidas para os municípios e estados, tenha nota 6 no ano de 2022 – o que  corresponde à qualidade do ensino em países desenvolvidos.
Analisando criteriosamente o tripé , apontado logo acima, que condiciona o crescimento do Ideb, e trazendo os componentes do mesmo para a nossa realidade, chegamos a muitas conclusões, principalmente, em relação ao crescimento dos indicadores recém apontados pelo próprio Ministério da Educação. Ora, se um dos meus questionamentos e de muitos educadores era saber o porquê desse crescimento, já que nos deparamos cotidianamente com realidades tão gritantes em relação à qualidade do ensino e que nos mostram exatamente o contrário do que apontam os resultados, depois da exposição dos componentes do referido tripé tudo fica bastante explicado, afinal de contas, há tempos em que a escola pública não se depara com o problema da evasão. Até existe, não estou afirmando que acabou, mas é raro o aluno deixar de ir à escola nos dias atuais. Isso não quer dizer que o aluno ame a escola e que ela ofereça o melhor ambiente para ele, em alguns casos até acontece, sim, mas é uma raridade em nosso país. O que estou querendo dizer é que desde a existência do bolsa família o aluno frequenta a escola rigorosamente, caso contrário, o tal benefício não chegue à família deste.
Em relação à questão da repetência, essa problemática também parece ter sido "resolvida", neste caso, não somente na rede pública, mas também na rede particular, afinal de contas, vocês acham mesmo que a existência do sistema de progressão continuada foi aceita de forma tão rápida simplesmente porque pensava-se em não interromper o processo de aprendizagem do aluno, levando em consideração que o mesmo não deve sofrer retrocessos, ou até mesmo, por conta  do respeito à sua  auto-imagem de aprendiz como  forma de motivá-lo a aprender? Sinceramente, eu tenho as minhas dúvidas.
Quanto à aprendizagem, a rede particular continua à frente da rede pública. Conforme a análise feita, um estudante da rede pública de ensino, na grande maioria, está três anos atrás, em termos de aprendizagem, quando comparado a um da rede particular. A situação é bem mais caótica quando essa comparação é feita entre regiões, pois, mais uma vez, as regiões norte e nordeste apresentaram os piores desempenhos. E , infelizmente, Alagoas, o nosso estado, continua na "liderança" dos piores do nordeste. Em relação ao índice nacional, o estado perde apenas para o Pará.
Depois dessa análise, fica claro o porquê da minha preocupação quando o país fala em avanços em termos educacionais.

*O Saeb - Sistema de Avaliação da Educação Básica e a Prova Brasil são avaliações do Inep.